Tenile Vicenzi fora da bolha

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Reinvenção

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas…
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo… – mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço…
Só – no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só – na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Cecília Meireles (1901-1964)

 

O que faz uma pessoa com curso superior, requisitada por sua competência a trabalhar em grandes empresas, com um ótimo salário, tendo uma bela morada, carro, familiares, amigos, a largar tudo e, junto com seu companheiro, correr mundo e tentar um outro tipo de vida? Inquietação, liberdade (palavra de cunho um tanto quanto subjetivo),  sair em busca de realizações, não seriam respostas erradas. Mas é mais do que isso. Tenile Vicenzi procura algo maior, mais gratificante. Passo a ela a palavra:
“Era um sábado a tarde e eu entrei na Tok Stok, para comprar alguma coisa, quando uma caneca me chamou atenção. Ela era branca, com uma ilustração preta de um pássaro dentro da gaiola. Não hesitei nem um minuto e coloquei na cestinha aquela caneca que já tinha um destino traçado – minha mesa de trabalho. Além da função de economizar copinhos plásticos, por alguns meses ela serviu como um espelho: eu me reconhecia ali, me sentia tão presa quanto aquele pássaro.
E quando, por uma única vez compartilhei com um colega essa história da caneca, ele respondeu de bate-pronto: já reparou que a porta da gaiola está aberta? Não, eu nunca tinha me atentado a isso. Distração? Ou um não querer ver, para não ter que agir?
Você já pensou quando estamos de fato presos a uma situação, seja ela um trabalho improdutivo, um relacionamento entediante ou qualquer outra condição desconfortável, e quando escolhemos estar ali, dia após dia, por não querer encarar uma mudança?”

O benefício da gaiola

“Parece estranho o que eu vou dizer, mas é confortável se lamentar dentro da gaiola. É viciante. Principalmente quando você encontra outros que estão na mesma situação. Enquanto você reclama, ratifica para si mesmo que tem coisas muito mais interessantes lá fora, que a vida pode ser muito mais do que isso. Você se sente superior só por vislumbrar uma condição que os outros não enxergam. Mas você continua lá. Sabe por quê? Porque embora ache ruim, você está ali desfrutando de todo/a                  (escreva aqui o benefício) que ela te oferece. No meu caso específico, o benefício da minha gaiola era a segurança financeira que um bom salário no final do mês me proporcionava e o status de trabalhar em uma multinacional admirada por todos.”
Atualmente Tenile está no Sudeste Asiático, em Bali, a pesquisar sobre modelos inovadores de educação e desenvolvimento humano. Em suas palavras: “(…) experimentar uma vida com mais significado, tempo e liberdade. Tempo para dedicar aos meus projetos pessoais, onde eu possa aplicar plenamente minhas competências, exercitar a minha criatividade e testar meu potencial. Liberdade para viver um estilo de vida mais simples e mensurar o que de fato preciso para ser feliz.
Neste momento, estou fazendo tudo o que mais gosto: viajando, escrevendo e fotografando. Paixões que me acompanham desde sempre, mas que ficaram em segundo plano nos últimos anos. Lembro orgulhosamente de uma redação minha que foi publicada pela Revista Veja quando eu ainda me preparava para o vestibular. Das minhas fotografias, duas já foram selecionadas pela National Geographic.”
Bem, junto com as experiências e buscas que Tenile persegue a fotografia tem um papel bastante importante. Quando, há muitos anos vi as suas primeiras fotos, de amador, notei uma grande sensibilidade em seu enquadramento e percepção da luz. Me desculpem, os que me leem, de insistir sempre nesse ponto. O difícil é isso, a técnica é simples.
Ao falarmos pelo telefone sobre a sua nova vida e ter notícia das fotos que ela já tem no banco de imagens Shutterstock e fotos selecionadas na prestigiosa National Geographic conversamos sobre o seu futuro como fotógrafa. À frente de tantos objetivos, desafios, trabalhos em prol não somente dela como de outros seres humanos, deixou uma dúvida sobre se se dedicará unicamente à arte fotográfica. O que quer que Tenile opte para a sua vida tenho a certeza que escolherá aquilo que a sua inteligência, capacidade e competência aconselhar. E que será vencedora em tudo que fizer. Porém, desejo que continue a fotografar sempre pois ela esbanja talento com suas fotos. É só olhar com olhos de ver.
A quem interessar, vale uma visita: www.foradabolha.com.br.

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2 comentários

  • Dico Kremer, excelente matéria, minha gratidão por tornar público para que possa alcançar e inspirar mais e mais pessoas em outros “cantos”!! Parabéns! Conheço a Tenile, uma profissional admirável e dedicada, com certeza terá e será sucesso em qualquer e todo caminho seguir. Foi sempre um prazer trabalhar com a Tenile e poder “ver” agora a aventura que ela está seguindo é fantástico. A busca pelo novo, pelo desenvolvimento pessoal e humano, que constrói e dá exemplo! Seus textos são ótimos e as fotos lindas, maravilhosas e inspiradoras!

  • Vivian lopes

    Uau….de arrepiar, tanto as fotos como o texto.Também trabalhei com Tenile, e ela sempre foi um ser humano diferente da maioria das pessoas que nos rodeiam, uma energia, uma criatividade e um desprendimento único. Que bom ver que os sonhos são possíveis.

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