Mendes diz que, sem julgamento do mensalão, não haveria Lava Jato

Gilmar Mendes. Foto: Fellipe Sampaio/ SCO/STF

 

Ministro do STF deu entrevista antes de participar de seminário em Lisboa.
Ao chegar ao evento, Mendes foi recebido por manifestantes pró-Dilma.

 

Por Juliana Prata
Do G1

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta terça-feira (29), em Lisboa, que, na opinião dele, o julgamento do mensalão abriu caminho para que pudessem ser realizadas as investigações da Operação Lava Jato. Para ele, o julgamento do mensalão “talvez seja um marco histórico” no Brasil.

Mendes viajou à capital portuguesa para participar do Seminário Luso-Brasileiro na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Outras autoridades e políticos brasileiros também são esperados no evento.

“Talvez o mensalão seja um marco na história brasileira, no sentido de combate à impunidade. Eu acho até que se pode dizer que, sem mensalão, não teria ocorrido aí esse julgamento do petrolão. Não teria tido essa evolução”, afirmou o ministro.

Para Mendes, as penas aplicadas a Marcos Valério, preso em regime fechado por ter sido considerado o operador do mensalão, possibilitaram as delações premiadas na Lava Jato.

“Muitos dizem que as penas aplicadas a Marcos Valério é que permitiram que houvesse essa evolução em relação à delação premiada. Então acho que essa é uma reflexão que a gente vai ter que fazer no futuro”, completou.

Mendes também comentou sobre a presença, no seminário, de políticos manifestantes contrários ao governo da presidente Dilma Rousseff. Ele negou um caráter anti-governo no evento e disse que o objetivo dos debates é melhorar a democracia.

“É esse o tema, efetividade da democracia. Nós não estamos colocando em xeque a democracia, mas a melhoria da qualidade da democracia. É isso que está sendo discutido”, disse o ministro.

 

Protesto

Mendes chegou ao seminário acompanhado do senador José Serra (PSDB-SP). Os dois foram recebidos com protestos por cerca de 50 manifestantes, que levantavam cartazes com dizeres contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Isso é absolutamente normal. Também no Brasil, às vezes participando de bancas de doutorado, a gente tem protestos. Isso é normal e democrático”, afirmou Mendes.

 

Vídeo de Temer

O vice-presidente Michel Temer enviou um vídeo para a abertura do seminário. Inicialmente, Temer, que é advogado constitucionalista, faria a abertura do evento, mas optou por não viajar a Lisboa para ir a evento do PMDB nesta terça (29), em Brasília, no qual o partido deve decidir deixar o governo Dilma.

No vídeo, Temer exaltou os direitos conquistados no Brasil com a Constituição de 1988, como o direito à liberdade de expressão e à informação.

Ele mencionou que o povo brasileiro hoje quer “pão na mesa”, numa referência ao direito à democracia social. Para ele, esse processo vem se intensificando nos últimos anos, com a população superando a linha da pobreza.

 

Deixe uma resposta