Notícias do fim do mundo

Não há boas novas no país de Macunaíma. Ao que tudo indica essas terras meridionais foram mesmo amaldiçoadas por Deus lá por volta de 1500 e em 2016 ainda padecemos dessa danação bíblica. Notícias nada exemplares de corrupção generalizada se espalham de forma atávica por toda a nação. Ninguém está a salvo. Cinco ex-presidentes passam por investigações e pelo menos um está para ser preso. Dizem que também vai fazer a tal delação premiada e que a coisa pode ainda parar na Casa Branca. O parlamento também está corrompido e seus presidentes acusados de práticas insidiosas. O judiciário se divide e fere a constituição que devia defender, passando a legislar conforme sua conveniência. O ideal do homem público brasileiro é ser prevaricador e bradar aos quatro cantos, promessa e esperança para a massa ignara. No mundo sexual tudo mudou (ou não?) e o mote dos jovens é a multiplicação da identidade de gênero e a doutrina degradada prega agora: todo mundo pega todo mundo e ponto final. Nos últimos tempos a coisa se agravou de uma maneira tão apocalíptica, que até parece que o anjo da morte está a caminho dessa terra corrompida, pois até doenças e pragas egípcias como a tal de chicungunha e o devastador zika vírus, por aqui vieram se estabelecer e dizer que não haverá boas novas e que a coisa só vai piorar. Tenho sido ávido por boas notícias que animem o meu presente e o futuro dessa pátria mãe tão distraída, mas só consigo ler que há um caos no país do carnaval e que as notícias não são mesmo nada exemplares. Ando me sentindo como Noé. Não como homem santo e livre de pecados, mas com a estranha sensação beata de que o fim se aproxima. Pelo menos para aqueles que andam mandando no país da bandalheira.

Após elucubrar sobre essas singelas observações, fui buscar na Bíblia – única fonte confiável atualmente – uma explicação para essas trágicas notícias e não poderia deixar de citar Noé de novo, pois foi com ele que Deus antes de mandar o Dilúvio para acabar com a sacanagem no planeta, andou batendo um papo sobre o homem e suas vicissitudes e o reconhecimento do erro que cometeu (Deus erra?) na sua criação. Vejamos então o que li lá no Gênesis: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra. Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra (Gênesis 6:5-13)”.

Pensativo sobre o arrependimento de Deus, fiquei algum tempo a imaginar que se o mundo naqueles primórdios era um todo sem nações definidas, geograficamente Noé poderia ter vivido em qualquer parte do planeta. Pelo grau de corrupção e degradação do homem naquele lugar, a possibilidade de ser o Brasil é gigantesca. Por sorte, ao navegar a esmo por muito tempo naquele temporal impiedoso, foi parar em outras plagas e muito provavelmente na Europa onde tratou de dar decência aos seus descendentes. Será? Se assim foi, por aqui os portugueses se encarregaram de recriar novamente a nação corrompida, impregnada pelos maus costumes do clientelismo, nepotismo, oligarquismo e governos populistas. Só não vejo um novo Noé. O fim, definitivamente, está próximo.

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