Editorial. Ed. 175

Espalha-se a crença de que a lassidão moral é um fenômeno generalizado. A sociedade estaria completamente minada. Há jornais dispostos a demonstrar que todo político patina eticamente nessa choldra que a Lava Jato pôs a nu, revelando um sistema de corrupção de proporções incríveis.

Tudo bem, como soem repetir as almas parvas. Onde se puxa uma pena, vem uma galinha, diz o ministro Teori Zavascki, do STF, a ilustrar como é extensa a roubalheira. Uma boa parte dos parlamentares estão sendo investigados ou processados porque não resistiram à oferta de propina de empreiteiros que ganharam a concorrência para uma obra apadrinhada por um desses deputados ou senadores da República.

Este grau de decadência moral não é o único mal que pode acabar com o Brasil, como o era a saúva na Velha República. É impressionante como nossos políticos ainda operam com marcos ideológicos anacrônicos. Há deputados que expressam conceitos de nacionalismo que o confundem com xenofobia fascistóide, quando não com o fanatismo do Apocalipse de visionários medievais. Há formas de nacionalismo que correspondem à negação da inteligência e constrangem os verdadeiros interesses da Nação.

Quem preza a sua condição de brasileiro sem deixar de cultivar a razão, como máximo atributo do ser humano, talvez perceba que o melhor modo de sairmos da crise econômica em que estamos é facilitar a participação do capital estrangeiro na justa medida dos bons negócios.

A nossa indigência cultural também é gritante. No ranking mundial das universidades estamos atrás de países como a Argentina, o Chile, o Peru. Os estragos feitos em 13 anos de governos populistas do PT não serão recuperados a curto ou médio prazo.

Há carapuças que se vestem com sofreguidão igual à da corista da terceira fila subitamente presenteada com uma estola de arminho. Não se ofenda, contudo, a nobre categoria das coristas, supondo que a sutileza dos assessores de Brasília tem o nível de um palco periférico.
Não vai ser fácil sair dessa crise. O Brasil precisa agora de um reacerto destinado a cortar excessos e exageros. Fiscais ou sindicais, como faz a Argentina neste momento. No fundo, precisa de um profundo impulso liberal, essência da revolução de nosso tempo, que procura reafirmar a liberdade e os direitos do cidadão diante da máquina do Estado. Num Brasil em que a acentuada preocupação em distribuir benesses, a incorporar militantes, tornou a máquina grande demais e opressiva, quando não opressora.

Como dizia Leibniz, tudo está bem, no melhor dos mundos possíveis. Frase que levou o francês François-Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, a escrever dois ou três de seus melhores livros. Prefiro Voltaire.

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