Paulo Polzonoff

Há tempos, atuava nesta Curitiba um crítico de literatura, também escritor, chamado Paulo Polzonoff. À parte expor uma filosofia estética que se contrapunha aos cânones do sociologismo barato que predominava (e predomina) na crítica literária nativa, Polzonoff era violento e opiniático. Satirizava os maus artistas e distribuía elogios com grande economia.

Seus argumentos, porém, impressionavam pela lucidez e amplitude cultural. Não se tratava de crítico pessoal, mas de alguém que defendia um ponto de vista , lutava pelo estabelecimento de uma escala de valores e recusava a contrafação de qualidade, o hábito de dar tapinhas nas costas, à guisa de estímulo, peculiar à maioria dos nossos críticos em suas igrejinhas. Seus argumentos não eram irrefutáveis, mas não apareceu ninguém para contestá-los. Os criticados reagiam com boa dose de irritação ou ódio. Comemoraram quando Polzonoff se afastou da cidade para andar pelo Rio, Nova York e Bahia. Foi um alívio para todos os literatos. Pois bem, Polzonoff está de volta. Agora na Ideias. Talvez mais maduro, menos violento, mas com o mesmo rigor para avaliar a literatura e também para tratar dos eventos políticos que dominam a cena neste país. Acautelai-vos, poetas, escritores, ensaistas, cronistas e afins. O homem está afiado e com a disposição para escrever que sempre teve.
F.C.

Foto: Acervo pessoal

Foto: Acervo pessoal

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