A beleza real de Karin Schwarz

“Podemos olhar essa obra durante minutos, voltar a olhá-la, determo-nos em cada detalhe, lê-la pelos planos de cor ou pelo murmúrio das linhas, e sempre a descobriremos nova e plena. Se não estou equivocado, isto é uma obra de arte”
Ferreira Gullar

O contato com Karin Schwarz foi espontâneo. De um dia para o outro, cresci um tanto. Foi quando conheci Karin e seu povo. Karin e sua arte. Após o contato com a criatura, fui atrás da criadora. Ao encontrar seu site, karuska.com, conheci um pouco da pessoa da qual já me sentia próxima. Biografia, perfil (com signo, ascendente e signo chinês), obras, conceitos e beleza. O contato com linhas de uma arte intensa e extensa fez Karin brilhar por aqui, assim como brilha em tantos outros lugares.

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Karin Schwarz. Foto: Acervo pessoal

Artista e designer curitibana, Karin se formou na UFPR em 1997. Conheceu o mundo das artes plásticas e aprendeu a ser o que é sozinha. Começou sua produção cedo realizando exposições coletivas pela adolescência. Escreveu a peça A Menina que queria ser Drag Queen que fez sucesso em Curitiba em 1999-2000, tempo que esteve em cartaz. Desde 1995 integra o grupo cênico The Virgens Again, atuando em espetáculos, vídeos e cinema. Nas produções do grupo, Karin participa como atriz, diretora de arte, figurinista, sonoplasta, designer gráfico, roteirista, produtora e coreógrafa. Durante o ano de 2005, participou de diversos espaços culturais de Curitiba expondo suas digigravuras. Em 2006 apresentou ao mundo suas garotas, “as bárbaras”, com repercussão em diversos países do mundo. Possui obras espalhadas no Brasil, EUA, Finlândia, Espanha, Inglaterra e Islândia. Ou seja, pinta, borda, atua. Mil facetas, todas de arte, que se põem a nós, admiradores desse mundo.

Adepta da arte digital, senão a própria criadora, Karin invade o mundo mais vivido de hoje, o virtual, para a criação da arte, para a criação das digigravuras. E por que não? A arte mais do que todos é livre, os dois mundos precisam dela.

Livre a arte e tentando ser livre a arte de Karin. Uma proposital luta pela liberdade. Ao ler seu livro Espectros: digigravuras, com apresentação de Noel Ulvaeus, fica claro esse poder. Contra padrões, preconceitos e todos esses defeitos, ela escancara sua beleza. A beleza real. Que só pode ser sentida e consequentemente conquistada com luta.

Assim como nós, suas digigravuras não atingiram a liberdade plena. E esses momentos, em diversas fases, métodos e sentimentos são mostrados por Karin, que nasceu enamorada da Beleza e conseguiu transcendê-la e ser ela própria em sua arte. Não poderia deixar de citar um perfeito pensamento sobre esta obra feita por Ulvaeus: “Quantas vezes, talvez todas, a paz não se conseguiu com a guerra? A liberdade é conseguida com a luta. A ave sai da gaiola e voa em paz (liberdade), mas bate vigorosamente (em luta) as suas asas. As formas geométricas em Karuska, as lógicas, os arranjos matemáticos, que em si seriam de uma dureza quase feia, são a luta pela beleza, pelo amor, pela estética orgânica e livre que sustentam.”

Esse traço usado por Karin aparece em algumas das obras e coleções que mostrarei aqui. Bárbaras Garotas, Trios, Miscelânea e Espectros de Lesbos. Poderia mostrar mais, pois há uma constância na sua arte, entretanto, na turbulência dessas quatro coleções, encontramos uma harmonia. Nelas, Karin escancara a necessidade do prazer, da fuga do padrão, da aceitação do real. Utiliza um ícone do ideal de beleza, a Barbie, para fugir dessa realidade enlatada. E traz a Barbie para uma diversidade e a faz diversa, resistente e livre.
Arrebatadora, Karin crava uma briga com o padrão. Mostra a diversidade, a resistência em ser diferente e, por fim, livra-se das amarras e deixa a identificação e o choque para os observadores, que poderão, enfim, ligar a arte com o real, ligar a luta e a liberdade do cotidiano com as digigravuras de Karin Schwarz.

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Bárbaras garotas

 

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Bárbaras garotas

 

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Espectros de lesbos

 

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Espectros de lesbos

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