Caldeirada de polvo da Póvoa do Varzim

Póvoa de Varzim está no mapa desde 1308, mas tem indícios de ocupação desde o Paleolítico Inferior, coisa perto de 200 mil anos a.C. Tem uma história rica que percorre milênios, foi cidade do Império Romano, teve colonização Viking e passou por muitos combates até conquistar autonomia. Está ali, entre duas riquezas portuguesas: o Minho e o Douro, não é um dos meus endereços preferidos do país, mas tive agradáveis surpresas nas três vezes que a visitei.

Ano passado, a convite de alguns amigos, fui à cidade para acompanhar alguns espetáculos do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim. Depois de assistir à Orquestra Sinfônica do Porto Casa da Música que tocou com o pianista Yury Martynov, fomos jantar.
O lugar tinha ares de modernidade e não inspirava o que estou acostumado como conforto luso. Parecia como qualquer outro restaurante que alça o ingresso nas agendas internacionais de gastronomia – é lamentável, mas não lembro do nome e enquanto escrevia este texto não consegui conversar com meus anfitriões para completar as informações.

Foi uma bela surpresa. E se não lembro do nome do restaurante e faço esta injustiça com o endereço e seu chef, em minha defesa digo que desde então já preparei o prato umas oito vezes e em todas dei o mesmo testemunho sobre o local, a conferir-lhe créditos pelo sucesso.

 

Caldeirada de Polvo

 

Ingredientes:
• 1 pimentão vermelho
• 1 cálice de vinho branco
• 4 batatas
• 20 vongoles, que em Portugal atende por amêijoas
• 600g de polvo cozido
• 2 cebolas grandes
• Azeite português
• Sal
• Salsinha
• Coentro

Preparo:
• Aprendi com o dono de uma peixaria do Mercado Municipal que a melhor maneira de trabalhar com o polvo é cozê-lo um pouco antes de qualquer providência. Por isso, indico que você o coloque numa panela com água e sal a ferver e deixe-o nadar ali por uns sete minutos e só depois fatie-os em pedaços grandes o suficiente para sentir gosto e textura e pequenos o bastante para caber numa colher de sopa.

• Na água que você ferveu o polvo, coloque o vinho e leve as amêijoas para que cumpram o ritual até abrirem.

• Descasque as batatas, corte-as em rodelas grossas e as cozinhe na mesma água que a essa altura já concentra gostos diferentes.

• Tenha atenção com a panela principal, em que será de fato feita a caldeirada, em algumas circunstâncias é possível leva-la à mesa, então, se for o caso, escolha uma com apresentação digna de estar envolvida com porcelana, cristais e prataria. Coloque um fio de azeite e doure a cebola, junte o pimentão e depois de rápido refogado, acrescente a água em que você ferveu polvo, amêijoas e batata. Neste momento, verifique o sal e aproveite para distribuir alguns outros sabores de sua preferência. Minha dica é deixar que a pimenta, por exemplo, seja dispensada desse capítulo e esteja à disposição na mesa. Uma amiga acrescentou um pouco de caldo de camarão nesta etapa e me disse que o resultado foi muito agradável.

• Com o caldeirão fervendo, coloque batatas, polvo e amêijoas e permita que se misturem mais alguns minutos.

• Depois de desligar o fogo e imediatamente antes de servir, polvilhe com salsinha e coentro.

O prato não requer acompanhamento, mas se você fizer questão, pode fazer uma cesta com pães. Fundamental é mesmo o vinho, para esta ocasião, sempre gosto do Fino de Jerez, que conheci numa viagem ao Triângulo Dourado da Andaluzia, no sul da Espanha, mas este é assunto para outro dia.

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