O paradoxo do tempo

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Já tive a oportunidade de falar aqui sobre a percepção alterada da passagem do tempo, indagando se ele estaria voando. Discorri sobre a interpretação neurológica dessa passagem e sua ilusões, como também sobre a Teoria da Ressonância Schumann, que nos diz sobre a aceleração do coração da Terra, que teria reduzido a jornada do dia de 24 para 16 horas.
Muito bem, refletindo sobre esses pontos, veio a indagação: afinal, por que queremos mais tempo? O que significa, efetivamente, ter mais tempo e, por fim, como estamos usando o tempo que temos?

Vamos fazer uma situação hipotética. Na possibilidade de nos serem dadas mais duas horas em nosso dia, o que faríamos com elas? Pare, reflita e responda honestamente. O que você faria com mais duas horas no seu dia?

No consultório, quando indico exercício físico e atividades de lazer para os pacientes, invariavelmente a resposta é padrão – Não tenho tempo! Eu sempre questiono se o problema não está no gerenciamento desse tempo. Com essas hipotéticas duas horas a mais, será que seriam usadas para esse fim? Ou seriam desperdiçadas dentro desse bolo de horas que acabamos gerenciando mal?

Com o advento das redes sociais, admitindo-se toda sua utilidade e positividade em muitos aspectos, já perceberam o tempo desperdiçado com inutilidades que, se somado, poderia proporcionar o tempo que tanto sonhamos em obter a mais?

Para fazermos uma análise mais abrangente e não penalizarmos apenas as redes sociais, o que dizer dos reality shows com seus paredões de audiência em massa? Novelas, que temos know how inclusive para exportação, consumindo nosso tempo das 18, 19 e 20 horas, cada uma com seu apelo, fora os vale a pena ver de novo (quem disse que vale?).

Precisamos tomar cuidado com os avanços da tecnologia que nos tornam reféns. Ao mesmo tempo, quanto se economizou em horas com esses avanços. E cadê essas horas? Senão vejamos: antigamente não tínhamos e-mails, fax já era um grande avanço; escrevíamos cartas, nos preocupando com as correções do português (o que o outro iria pensar?), levávamos ao correio e esperávamos por um tempo até que ela chegasse ao seu destinatário. Quando este a recebia, fazia o mesmo processo, e todo um tempo decorria disso. Hoje temos e-mails, torpedos, WhatsApp etc…, que nos fazem “ganhar” tempo. Então, a pergunta que não quer calar: onde está esse tempo economizado com esses avanços?

Talvez tenha havido uma mudança de conceitos e ficamos escravos da produtividade. O ócio é pecaminoso, todo tempo livre deve ser aproveitado na produção e, com isso, fazemos mais coisas do que podemos dar conta.

Com o advento do Protestantismo, trabalhar era uma forma de louvar ao Senhor.
Por volta do século XVII, veio o Capitalismo, que estimulou ainda mais a produtividade. Deu no que deu. Ficamos escravos de fazer mais coisas, “tempo é dinheiro”.
E assim, impacientes, ansiosos, queremos tudo para ontem. Almoçamos em pé, encostados em algum balcão, engolindo um fast food e já pensando no que fazer logo após essa farta refeição (farta carboidrato, farta proteína etc..).

Bem, agora me desculpem porque vou terminar este artigo correndo já que meu celular não para de tocar, meu computador de receber e-mails, fora os whats dos inúmeros grupos de amigos (todos virtuais, claro!). Que loucura esta vida. Que correria. Como eu gostaria de ter mais tempo!

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