Prateleira. Ed. 176

hildahanos60

Hilda Hilst: da morte. odes mínimas

"Como virás, morte minha? / (...) / Afilada? Ferindo como as estacas/ Ou dulcíssima lambendo// Como me tomarás?” Pouco do que está nos versos de Hilda. Muito para quem não está ambientado. Como sempre escrachada, nesse livro encontramos no seu início aquarelas da própria autora com cores fortes, vivas e uma sequência de versos que mostram as dúvidas, os pactos, as compreensões com e sobre a morte. A poesia de Hilda, sua força, seus medos e seus escárnios demonstram uma sutileza e um paradoxo constante da vida ensolarada e da morte em penumbra. Apenas Hilda, que é muita. E respondendo uma de suas perguntas “E se eu ficasse eterna? / Demonstrável. / Axioma de pedra.”. Dizemos que ficou, permanece grande.

Eduardo Galeano: Nós Dizemos Não

galeano-nos-dizemos-nao

Galeano e seu olhar apurado sobre a América nos deixa mais uma vez atônitos quando nos deparamos com o óbvio. Com o, no mínimo, reflexivo. Nós Dizemos Não é a demonstração de um descontentamento do rumo que a América subdesenvolvida levou deixando seus países imersos em dívidas e com uma gigante desigualdade social. Neste livro Galeano dá exemplos dessa infeliz caminhada dos países latino-americanos. Entretanto, deixa claro a principal característica desses povos, a resistência. Aspecto que irá, para o autor, fortalecer esses países e fazer com que o cenário mude. Somente ciente da resistência é que se pode dizer não.

Mario Vargas Llosa: Travessuras da menina má

llosa-travessuras

Amor, transformações sociais europeias, convulsões políticas na América Latina e experiências pessoais. Travessuras da menina má narra a história de Ricardo, jovem peruano que sonha em viver a vida em Paris e reencontrar Lily, moça que conhece em Lima no início dos anos 1950.
Quando começa a realizar seu sonho, iniciando sua vida pacata em Paris, reencontra-a, que mais uma vez vai bagunçar e desequilibrar seus dias. Das travessuras da menina má e da simplicidade do jovem Ricardo, Llosa escreve um amor oscilante junto da história de dois continentes em efervescência, deixando nas linhas e entrelinhas traços da sua própria vida.

Eça de Queiroz: Box com A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras

eca-queiros-1

Romances da última fase do autor, A Ilustre Casa de Ramires (1900) e A Cidade e as Serras (1901) demonstram uma maturidade artística de Eça, apontando um período moderado e mais preocupado com a estética gramatical de suas obras. Em A Ilustre Casa de Ramires há a narrativa da vida de Gonçalo Mendes Ramires, sua chegada à política e uma demonstração das tradições familiares portuguesas. Há uma tendência que explica ser uma analogia constante com a história de Portugal. Já o segundo romance foge completamente das críticas ou qualquer tendência mais radical do autor. Em A Cidade e as Serras, Eça vai comparar a vida agitada e boêmia de Paris com a tranquilidade e harmonia da cidade serrana de Tormes, deixando claro uma apreciação maior à calmaria da cidade pequena.

Os contos de Tolstói

tolstoi-contos-completos

Com a proposta de reunir todos os contos de Liev Tolstói, a editora Cosac Naify publicou em 2015 uma box com três livros que contemplam o objetivo, deixando de fora apenas os textos inacabados e outros menores mas sem classificação de conto como a novela A morte de Ivan Ilitch. Tolstói utilizou do conto para exercer críticas sobre a urbanização, a industrialização e a introdução das relações capitalistas que adentravam a Rússia do seu período. O seu interesse pelo pensamento religioso e pelas populações, classes e grupos sociais marginalizados também pode ser encontrado em seus contos reunidos na box Liev Tolstói Contos Completos.

Uma página de amor

emile-zola-uma-pagina

Embora Émile Zola seja um dos expoentes do naturalismo na literatura e Uma página de amor (1878) faça parte da grande obra que incorporava elementos dar-winianos e apelava ao determinismo científico, vemos aqui um Zola mais preocupado com as facetas do humano, longe da ciência. Vê-se uma Helena (protagonista) que entrega-se sem se entregar à paixão, ao amor. Dir-se-ia que Zola é um craque nos psicologismos sem perder de vista o cuidado com a literatura, além de ser fundamental para compreender o percurso literário do século XX que tanto influenciou.

Alejandro Zambra: Formas de Voltar para Casa

alejandro-zambra-formas-de-voltar

"É tarde. Escrevo. A cidade convalesce mas retoma aos poucos o movimento de uma noite qualquer, o fim do verão. Penso ingenuamente, intensamente na dor. Nas pessoas que morreram hoje, no sul. Nos mortos de ontem, de amanhã. E neste ofício estranho, humilde e altivo, necessário e insuficiente: passar a vida olhando: escrevendo.” É com palavras sensíveis e completas como essas que Alejandro Zambra desenvolve seu romance apoiado nas suas próprias lembranças no período da ditadura chilena. Entre ficção e realidade o autor desdobra-se para voltar a um passado dolorido e sentido pelos chilenos a partir de algumas perspectivas. Um garoto que está a viver o momento da ditadura, um narrador sem nome e personagens secundários que são filhos e filhas de homens e mulheres que lutaram na ditadura. Vencedor do Prêmio Altazor e do Prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance de 2012 no Chile, Formas de voltar para casa relaciona a narrativa e a memória de forma sentimental e surpreendente.

Leia mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *