Bruno Covello – filho e neto de peixe

001-capa-ensaio-177

O avô era fotógrafo amador. O pai é fotógrafo profissional. Durante a sua infância e adolescência Bruno Covello conviveu com as lides e com equipamentos fotográficos do avô e do pai. Muitas vezes serviu de modelo para algumas fotos que seu pai Júlio inventava. Mas a fotografia não o tinha ainda conquistado. Quando chegou a hora de se definir profissionalmente optou por fazer o curso de jornalismo. E foi na PUC, durante as aulas de fotografia, que a sua futura profissão começou a se revelar. Logo se envolveu com o jornal da escola e começou a descobrir e a desenvolver o olhar fotográfico. E, por sorte, viveu a época de transição entre o analógico e o digital. Pode aprender os fundamentos da arte fotográfica e a gradual mudança para o sistema digital. Sua primeira câmera, que ganhou de seu pai, foi uma Nikon FM2, analógica. Foi o começo.

O estágio que fez no departamento de fotografia da Prefeitura Municipal de Curitiba, a trabalhar com editoria, abriu os seus olhos. A conviver com bons e experientes profissionais pode perceber como funcionava o processo na obtenção das imagens. De posse das fotos acompanhava o passo a passo de como cada fotógrafo conseguia chegar na melhor imagem para ilustrar a matéria. Foi, para ele, uma grande escola de fotojornalismo. Quando foi escalado para acompanhar o prefeito em visita às obras, depois de tirar as fotografias da pauta, dava um jeitinho de se aproximar das pessoas da região e bater um papo com elas. Ali estava o primeiro sinal da luz que iria clarear e orientar o seu trabalho: as pessoas, gente. E suas histórias humanas, demasiadamente humanas.

Junto a um amigo começou a fazer fotos de eventos e sociais. Com sua contratação pelo jornal Gazeta do Povo foi adquirindo maior prática com a difícil arte do fotojornalismo. E em suas andanças pelo centro da cidade, a ver um sem número de haitianos pelas ruas e praças, é que teve a ideia de fazer um trabalho sobre esses imigrantes. A aproximação foi lenta e delicada. Devido ao racismo e a xenofobia a desconfiança é muita. Com paciente conversa e dedicação veio a conseguir, ao longo de três anos, romper a barreira e registrar a vida dessas pessoas. Seus trabalhos, suas festas, seus casamentos, seus momentos de lazer, sua vida em família, quando a tem. E suas esperanças, suas alegrias e suas tristezas. Bruno pretende trabalhar em seu projeto até o fim deste ano. Vai continuar a fotografar as pessoas e suas vidas para agregar as já mais de sete mil imagens que tem. Deve ir ao Haiti junto com um imigrante que mora em Curitiba para lhe servir de guia e ponte na continuação do trabalho.

Vai levar cinco cartas de cinco haitianos para as famílias de lá junto com os respectivos retratos. E de lá vai trazer as respostas das cartas e as fotografias que vai tirar dos parentes. Acabado o trabalho de fotos, parte para a meticulosa edição com ajuda de amigos. Daí a publicação de um livro com cerca de 130 fotos e texto em três idiomas: português, inglês e creole, que é a língua nativa ao lado do francês. E com patrocínio via lei Rouanet vai expor o seu trabalho.

Bruno gosta do convívio e das histórias e estórias das pessoas. Nesse ambiente se senta à vontade, livre para contar histórias em imagens de vidas, histórias de pessoas, de gente, de seres humanos. Nas várias visitas que faz, conversa muito e só pega a câmera para fazer seu trabalho quando tem a concordância e a confiança das pessoas da comunidade. Com respeito, dedicação, solidariedade e amizade.

1-Brunno_Covello

 

2-Brunno_Covello

 

3-Brunno_Covello

 

4-Brunno_Covello

 

5-Brunno_Covello

 

6-Brunno_Covello

 

7-Brunno_Covello

 

8-Brunno_Covello

 

9-Brunno_Covello

 

10-Brunno_Covello

 

11-Brunno_Covello

 

Leia mais

Deixe uma resposta