Editorial. Ed. 177

Após a delação premiada de Sérgio Machado, ex-executivo de alto coturno da Petrobras que distribuiu propinas durante anos para políticos e governantes, parece não ter sobrado ninguém da elite dirigente do país que mereça respeito pela honestidade e espírito republicano.

E pensar que ainda teremos as delações da Odebrecht e da OAS, que segundo os espertos da área, serão as mais recheadas de histórias de maracutaias e grossas propinas. Sem contar que tudo até agora gira em torno da Petrobras, um pouco da Eletrobras e temos o restante da grande máquina estatal para revelar seus podres.

O que virá depois? Esta pergunta é o último argumento dos petistas que nada tem a dizer em seu favor. Anunciam o caos e a miséria da maioria como consequências de sua queda. Para contrapor ao descalabro de hoje, só inventando outro maior para o futuro. O que mais poderiam dizer os militantes da seita inclinados ao fanatismo do Apocalipse. Lembram Berlusconi, na Itália, depois da Operação Mãos Limpas. E os que se sentem completamente desprovidos de razão, ou declaram que todos os partidos e políticos são iguais em desonestidade ou saem a distribuir sopapos e a ameaçar com violência os cidadãos que já não suportam o desgoverno do PT.

Oscilamos entre a desfaçatez e o primitivismo. É difícil dizer o que virá depois, além de enumerar as mazelas deixadas pelo petismo e que deverão marcar as próximas gerações. Desconstrução, queda do Produto Interno Bruto, desemprego, aumento da criminalidade, deterioração geral das condições de existência, deterioração dos serviços públicos e, principalmente, a ausência de esperanças.

Ao governo interino que logo será o de transição para outro que venha pelas urnas, não resta opção que mostrar o rombo fiscal, o tamanho da roubalheira e insistir com o distinto público que terá de compartilhar a desgraça com todos. Mesmo ao saber que todos estão fartos do que a política lhes impõe. E que é injusto que, mais uma vez, o povo pague a conta. Nestes dias, o único consolo e a única esperança da população estão no Judiciário e na figura de um juiz, Sergio Moro, que se tornou famoso pelas qualidades que deviam estar em todos os de seu ofício: coragem, honestidade e disposição para o trabalho.

Quanto a um estadista para assumir a condução do país, esse é mais um sonho de improvável realização. Quando o assunto é crise de lideranças, pensamos imediatamente em imponentes vultos da história. Churchill, De Gaulle, Roosevelt, gente deste porte. Grandes homens não acontecem por acaso, como tudo o mais. Um dos nossos raros heróis definitivos, Pelé, representou uma grande escola de futebol. Mas bastaria contar com um pessoal sério e bem intencionado. Se faz falta, vale perguntar se não há uma lógica nesta ausência.

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