Prateleira. Ed. 177

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Raduan Nassar 

Raduan Nassar – O Prêmio Camões de 2016

"Eu não entendi esse prêmio direito, minha obra é um livro e meio”. Com humor, foram essas palavras que Raduan Nassar disse sobre o Prêmio Camões que venceu neste ano. Talvez o criador não entenda e não encontre os motivos certos para a contemplação do maior prêmio literário da língua portuguesa, mas seus leitores, perdidos em meio as suas três criaturas, entendem perfeitamente. Talvez com certa tristeza, pelo autor já ter falado algumas vezes que não irá mais publicar, mas compreendem o porquê de Nassar merecer esse prêmio.

camoes-nassar-1Autor de “Lavoura Arcaica” (1975), “Um Copo de Cólera” (1978) e do livro de contos “Menina a Caminho e Outros Textos” (1997), Raduan Nassar é 12º brasileiro a receber o Prêmio Camões. Escolhido por uma “extraordinária qualidade da sua linguagem e da força poética da sua prosa.”, disse o júri, Nassar, paulista discreto, eleva sua obra mais um pouco com esse presente, com essa afirmação de ser um grande escritor brasileiro.

Wilson Bueno – Bolero’s Bar

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"Minha Curitiba não se publica, antes se guarda – secreta facínora – no coração.” É esse clima que paira nas prosas poéticas de Wilson Bueno. Dedicado a Jamil Snege e com texto introdutório de Paulo Leminski, o livro foi editado em 2007 junto com Diário Vagau, pela Travessa dos Editores. O Bueno, que frequentava e era dono do Bolero’s Bar, como traz Leminski em seu texto, não cai na repetição, permanece bom, bueno, entre a linha tênue do pensamento e sentimento.  

Lília Schwarcz – As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos

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Num primeiro momento a escolha por um livro de História pode se tornar equívoca diante da possível prolixidade da academia e de alguns historiadores. Entretanto, Schwarcz propõe e consegue mudar isso com seu livro sobre o nosso último imperador brasileiro, Pedro de Alcântara. Desenvolve nas linhas harmoniosas a história e, talvez, todas as facetas de D. Pedro II. Seu mau jeito com a política, seu mostrar discreto diante dos amores e seu olhar adocicado para com a arte, literatura, astronomia e ciências do chamado progresso do século XIX chamam a atenção e envolvem num conhecimento sobre o Império brasileiro e sobre uma figura peculiar que era seu centro. A historiadora, que tem o objetivo de alcançar o grande público em alguns dos seus livros, lançou As Barbas do Imperador em 1998.

Virginia Woolf – Um teto todo seu

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O pensamento de Woolf, que era à frente de seu tempo, faz com que ela fale, pense e escreva ideias pouco discutidas em sua época. E algumas que até hoje não foram vencidas. No caso de Um teto todo seu ela propõe o questionamento: “se Shakespeare tivesse tido uma irmã de igual talento, teriam os dois as mesmas possibilidades de trabalhar com seu potencial criativo?” Ou seja, o gênero interfere no desenvolvimento de uma habilidade por vezes inata? Um teto todo seu vai dizer como por vezes achamos ter nosso pensamento livre de preconceitos e amarras da nossa cultura e sociedade. E Woolf vai além, ela propõe defesas, fugas e, por fim, liberdade. Alcançável e possível.

Martim Vasques da Cunha – A Poeira da Glória

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Marcado pela polêmica, A Poeira da Glória (2015) veio para argumentar e dizer o que talvez muitas pessoas não gostaram de ouvir. O autor, que caminhou no oposto das análises comuns sobre literatura brasileira, vai desmontar e criticar as teses sustentadas sobre nossos autores tradicionais e tão conhecidos. Do clássico Machado de Assis aos contemporâneos Bernardo Carvalho e Daniel Galera, retrocedendo a Padre Antonio Vieira e passando por nomes como Guimarães Rosa, Cecília Meirelles e Nelson Rodrigues, são poucos os que se salvam neste livro de Martim Vasques da Cunha. A Poeira da Glória, com nome certeiro, pretende mostrar ao público leitor as “relações insuspeitas que há entre literatura e política”. A questão está no ar e argumentos de Vasques da Cunha não faltaram. 

Nilse Sant’anna Martins – O Léxico de Guimarães Rosa

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A imaginação prodigiosa, a brilhante capacidade de criar, a sensibilidade consciente de querer perpetuar fazem das obras de Guimarães Rosa a excelência da linguagem. Fez muito do português, desenvolveu palavras já pesquisadas por inúmeras dissertações e teses de mestrados e doutorados. E dentre os vários estudos da grande obra fez-se também o dicionário Léxico de Guimarães Rosa, de Nilse Sant’anna. Este que vem para facilitar aos leitores, mas também dizer sobre o estilo do escritor mineiro. A obra extensa deixa de ser complexa e passa a demonstrar a capacidade da valorização da cultura brasileira, talvez o objetivo de Guimarães fosse esse, a conscientização do belo.

Ernest Hemingway – Paris é uma festa

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Ernest Hemingway nas últimas linhas de Paris é uma festa retrata o que é o livro e o que era Paris nos anos 1920: “Neste livro, eu quis retratar a Paris dos meus primeiros tempos, quando éramos muito pobres e muito felizes”.
Gertrude Stein, F. Scott Fitzgerald, Ezra Pound e outros estão presentes neste começo da vida literária de um Hemingway que ainda tentava se estabelecer como escritor. Largara a vida de jornalista político para se dedicar aos contos. Numa mistura de raiva, por querer ter pertencido àquele momento e àquela Paris, e prazer, por poder conhecê-los através de um irreconhecível Hemingway sentimental, ler Paris é uma festa é um deleite para os amantes de Hemingway, de Paris e de ambos.

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