Susana Volpi

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Susana Volpi é um mistério profundo para muitos desde que começou a escrever suas crônicas. Esta tradutora do francês, na maturidade das balzaquianas, alta, magra, bonita, encontrou-se nas narrativas instigantes dos seus amores. Tem um séquito de fãs que quer saber mais sobre esta mulher que não se revela, não está na internet, detesta as redes sociais, recolhe-se ao seu claustro para escrever sobre o que sabe, as relações nunca iguais, sempre surpreendente, com os homens.

Ela não tem dúvidas de que traz consigo as deformações, os preconceitos, os tabus da formação religiosa. Estudou em colégio católico, teve uma época em que se julgou com vocação para irmã de caridade: queria ser carmelita, achava bonito. Vivia esmagada pela consciência do pecado. Hoje continua a acreditar em Deus, mas só pede para ser feliz. Como? O problema é Dele, responde.

O sexo para Susana é importante fio condutor de suas histórias, mas só na medida em que transcende o simples ato fisiológico através do erotismo. O amor, naturalmente, a envolver tudo. A pornografia e a promiscuidade só servem de estímulo aos impotentes, diz ela. Amor é praticado a dois. É o que lhe ensina a experiência de já haver transgredido o que pensa.

A rotina acaba com o amor. Repetir tudo todos os dias? O importante não é o sexo, mas o flerte, o olhar no olhar, a pele, o cheiro, a atração mútua. Tudo mais vem por acréscimo, diz Susana Volpi, que a cada crônica publicada nesta Ideias amplia seu mistério no imaginário dos leitores que tentam decifrá-la, arriscam identidades, sugerem mil e uma pistas para encontrá-la.

Fico a olhá-la, fascinado pelo prodigioso poder de expressão. Não é apenas uma mulher que tenho diante de mim, mas algo mais, e algo intimamente ligado à natureza, chego a acreditar no que me disse:
– Eu acho que sou um pássaro. Eu acho. Pode ser que eu esteja enganada.

FC

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