Briga pela sucessão de Cunha esquenta o clima na Câmara

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Foto: Divulgação

Líderes partidários e pré-candidatos discutem como se dará a escolha do novo presidente; maior polêmica é em relação à data da eleição

Por Patrícia Cagni
Da Agência Pública

Depois que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) renunciou à Presidência da Câmara todas as atenções dos parlamentares da Casa se voltaram para a nova eleição ao cargo. A data estabelecida pelo presidente interino Waldir Maranhão (PP-MA), próxima quinta-feira (14), provocou desentendimento entre membros da base aliada do governo, da oposição e do chamado “centrão” – grupo de partidos pequenos e médios que apoiavam o ex-presidente Cunha e são contra a sua cassação. Desde o anúncio feito pelo peemedebista na tarde da última quinta-feira (7), líderes partidários e pré-candidatos realizam reuniões para decidir como será o rito de escolha do sucessor de Cunha.

A disputa, na qual antes os deputados diziam não ter interesse, se transformou no mais novo púlpito político. A crise é tão profunda que mais de 20 deputados se lançaram candidatos ao mandato tampão de seis meses na Presidência da Câmara. Todas as bancadas indicaram nomes, algumas com mais de um. O PT, legenda da presidente afastada Dilma Rousseff e centro da crise política que envolve o impeachment, não vai lançar candidato. Os petistas querem identificar o mais eficiente “anti” Cunha para apoiar. O PCdoB formalizou apoio a um nome do Democratas. Os comunistas simpatizam com Rodrigo Maia (DEM-RJ) e até admitem apoiar nomes do PPS e PSDB.

A eleição vai ser secreta, e para que haja quórum para a votação, a maioria dos deputados deve estar presente à sessão – ou seja, 257 dos 513 parlamentares. Para que o novo presidente da Câmara seja eleito em primeiro turno é necessária a maioria absoluta dos votos. Se nenhum candidato alcançar o número, um segundo turno entre os dois mais votados será realizado. Neste caso, basta a maioria simples dos votos para eleger o novo presidente.

Outro impasse é a decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre o recurso protocolado por Cunha. Em ofício à CCJ, o peemedebista pede a anulação da sessão do Conselho de Ética em que foi aprovado o parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO) que pede a sua cassação. O relator da matéria, Ronaldo Fonseca (Pros-DF), acolheu parcialmente o recurso e defendeu a realização de nova votação do parecer de Marcos Rogério. A sessão de discussão do parecer está prevista para a próxima terça-feira (12).

Apesar da expectativa sobre o posicionamento dos parlamentares em relação à matéria, a votação do relatório de Ronaldo Fonseca ainda deve demorar. Cunha, mais uma vez, decidiu interferir no processo e resolveu fazer um aditamento ao recurso. Agora, o parlamentar alega que um dos “motivos determinantes” para a aprovação do pedido de cassação de seu mandato foi o fato de ele estar no comando da Casa e, assim, poderia ter seus interesses favorecidos. “Em circunstâncias diferentes, isto é, não sendo presidente, haveria a possibilidade de ser absolvido pelo colegiado”, disse Cunha no documento.

Fonseca, por sua vez, declarou que não vai se manifestar previamente sobre o aditamento. Conhecido pela notória proximidade a Cunha, o relator afirmou que tratará este aditivo de forma imparcial. Na sessão da próxima terça (12), Fonseca também pretende complementar seu voto.

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