O Martelo dos Bruxos!

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Desconfio muito de velhinhas “bondosas” demais. São seres que geralmente exercem fascínio e domínio sobre quem com elas convive e têm o poder quase absoluto de trazer o mal. Carregam consigo sinais semelhantes à santificação, pois ajudam os pobrezinhos da comunidade com as sobras de comida de sua farta mesa e doam as roupas usadas da parentada que não tem mais espaços em seus volumosos guarda-roupas. Simpáticas ao extremo, elas parecem estar sempre prontas a ajudar o próximo e são intensas em dar conselhos de aparente bom senso, geralmente induzindo o incauto a acreditar em suas artimanhas. São criaturas geralmente compulsivas no cumprimento de suas obrigações religiosas e sociais, nunca faltando à missa dominical ou a uma festividade paroquiana. Admiradas na comunidade, essas senhorinhas caracterizam-se por vestirem-se de forma elegante e, politicamente corretas, sempre tendo uma palavra de consolo ou de elogio quando encontram suas vítimas a quem direcionam seu malefício.

Quando jovens eram adoráveis e perversas e praticavam sortilégios que lhes traziam grande prazer. Na verdade falo das bruxas de nossos tempos, tal quais aquelas retratadas por Roman Polanski no icônico Bebê de Rosemary ainda na década de sessenta. Dificilmente seriam identificadas por Heinrich Kraemer e James Sprenger nos modelos definidos no seu Malleus Malleficarum (O Martelo das Feiticeiras) de 1486.

Segundo o Martelo das Feiticeiras e outros manuais da época, bruxa era a mulher que praticava magia para fins malignos, com a ajuda do demônio. Tais quais essas adoráveis senhorinhas disfarçadas e infiltradas entre os bons cristãos de nossas comunidades, as bruxas da idade média adoravam o Diabo em segredo, promoviam rituais demoníacos e lançavam feitiços e maldições aos seus inimigos ou por encomenda. Na noitada diabólica do Sabá, elas se entregavam a uma maratona de pecados e blasfêmias. Empanturravam-se em banquetes canibalescos e engatavam orgias onde todas as perversões sexuais imagináveis eram permitidas e encorajadas. Era uma festa e tanto. Hoje o Sabá ocorre entre chás e docinhos nos clubes mais elegantes da cidade e é quando a língua viperina dos comensais lança suas maldições indizíveis.

Então me perguntei certa noite, na vasta escuridão dos meus pensamentos tomados pela insensatez: afinal, por que raios, naquela época, as pessoas começaram a ver naquelas tiazinhas inofensivas bruxas voando em vassouras e dançando peladonas abraçadas com o capeta? Pesquisei e vi que a história do mundo estava cheia de respostas. Mas vi também que é mais do homem e não só da mulher a origem de todo mal. Mas não vim aqui para debater bruxas e bruxos medievais e sim os atuais porque inúmeras vezes fui vítima desses maledicentes que chegam como um ladrão e, com o tempo, aprendi a identificá-los como o fizeram os fanáticos e perigosos Kraemer e Sprenger e então alucinadamente escrevi secretamente o meu O Martelo dos Bruxos Politicamente Incorreto, ainda em revisão e sem prazo para publicação.

Escrevo sobre bruxas e bruxos porque esses são tempos insanos e cercam-me os falsos com máscaras teatrais da comédia, prontos para gargalharem sarcasticamente diante da próxima desgraça que me acometer. Para a sorte das bruxas que confrontei, nunca tive o poder dos inquisidores de Malleus Malleficarum de mandá-las à fogueira, pois caso tivesse poderia incorrer no mesmo erro dos juízes de Salém e mandar cremar indiscriminadamente toda e qualquer velhinha emperiquitada. Já pensou?

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