Raul

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Algumas coisas aconteceram comigo depois que você foi embora. Chorei por dias, abraçada em suas camisas, sem conseguir pensar no futuro como um tempo melhor. Me desfiz de todas as crenças. Tudo que eu sabia da vida e do amor desmoronou numa realidade diferente, pulsante e mais envolvente. Mergulhei nesse universo de desespero.
Com o tempo fui me recompondo e, junto com isso, me transformando.
O amor não existe, Raul. Agora eu sei. O amor é uma grande invenção daqueles que não se bastam, que precisam do reflexo do outro para existirem. É o ponto final de qualquer individualidade e encontro com a possibilidade de felicidade.
A ideia de amor é um tormento.
Se hoje te escrevo é para dizer que tudo que sinto é saudade. Esta sim, é verdadeira. Tenho vontade de te ver e ouvir tuas histórias. Tanto tempo depois ainda lembro dos teus beijos e das tuas mãos. Não esqueço de como você passeava pelo meu corpo e sabia na ponta dos dedos cada um dos meus caminhos. Continuo com a sensação de que você completará minhas frases e adivinhará o que quero comer. O reconhecimento de todo o meu avesso e o entendimento dos meus olhares – só você pode, Raul.
Venha hoje, às 9 horas, te espero sem amor.

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