Altius. Fortius. Citius

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Ah, se pudéssemos listar tudo de bom que ficou desta Olimpíada “à la carioca” como chamou o presidente do COI… “À la Usain Bolt” então lá vai: ufa! Aquele baita pavor de que algo desse (muito) errado foi infundado. Até mesmo os problemas das instalações inacabadas da delegação australiana e o canguru que o prefeito carioca pagou lá no começo ficaram pequenos diante da grandiosidade e simpatia dos infindáveis e humildes acertos da Rio 2016.

A começar pelo título de “altius”, que surpreendeu e ficou conosco, pelas pernas e braços do Thiago Braz que nos alçaram aos 6,03 m de altura. Vista dourada lá de cima! A Baía da Guanabara não estava despoluída, mas estava linda e igualmente dourada.

“Citius” na água, desculpa aí, Usain! Até o grandalhão “fortius” da Geórgia se espantou com a força que nossa torcida mostrou. Sim, somos barulhentos e vaiamos, torcemos por qualquer brasileiro que estiver competindo e vaiamos qualquer argentino que estiver competindo – mesmo que não seja contra nós e mesmo que depois a gente vá tomar uma caipirinha junto com ‘los hermanos’ no quiosque da praia ou do boteco mais próximo. Vaiamos até minuto de silêncio e a mãe do juiz que for contra nossa equipe!

Mas também aplaudimos o juiz se ele estiver apitando uma partida sem brasileiros e amamos os simpáticos atletas de qualquer país que seja simpático com nossa torcida. O grito da nossa torcida é fortius. E ficou entalado até os últimos dias, para soltar a plenos pulmões nos esportes que mais amamos: vôlei e futebol. Ufa, finalmente somos medalha de ouro no futebol graças ao goleiro acreano do Atlético vestido de Coxa, e voltamos a ser ouro no vôlei depois de três finais na rede.

Fortius, altius e citius foram também os legados (finalmente ficamos com algo de útil) material e imaterial que ficaram conosco. Um VLT circulando no centro do Rio, remodelado e com seu Porto Maravilha ressuscitado e revitalizado; um novo túnel para o Joá (acesso à Barra); o Museu do Amanhã; o BRT; a linha 4 do Metrô; o novo Aeroporto Tom Jobim (finalmente finalizado); o Parque Deodoro; a reforma do Engenhão; o Museu do Mar; o primeiro campo de golfe público do país (os EUA têm uns 30 mil mais ou menos) são alguns exemplos.

Ufa, quantas obras lindas e úteis! Mas teve o aspecto imaterial, de igual valor (ou maior até), que esta “Olimpíada carioca” espalhou por todo o país. Desde a cerimônia de abertura – que custou 15% do valor gasto na abertura de Londres 2012 – que largou boquiabertos mais de 3 bilhões de terráqueos (inclusive nós) à cerimônia de encerramento – que fez outros tantos bilhões se emocionarem e irem às lágrimas enquanto sambavam, já que tudo aqui acaba em Carnaval (ou em pizza), a tocha olímpica acendeu um fogo que há muito estava apagado entre nós. O orgulho de ser brasileiro, de nunca desistir, de se reinventar, de se virar e de conseguir, mesmo com pouco e sabendo que é quase nada perante o tanto de que precisamos. Foi tudo tão lindo, tão brasileiro, tão a nossa cara. E deu tão certo!

Nosso orgulho foi mais alto do que o Thiago Braz poderia nos alçar. Nosso sorriso abre mais rápido do que o Usain Bolt pode ir de 0 a 100 metros. E nosso coração bate mais forte do que os 473 kg que o levantador de peso Lasha Talakhadze consegue tirar do chão. Valeu, Rio! Chegaremos em Tóquio como os britânicos chegaram aqui: melhores, mais alegres e mais humildes. E traremos mais medalhas em 2020 do que conquistamos neste ciclo olímpico.

Provamos que podemos ser altius, fortius e citius de nós mesmos. Passamos o sarrafo, chegamos mais rápido, seguramos a barra. E sem ufanismo, hoje soltamos nosso humilde e renovado grito: UFA, CONSEGUIMOS! Viva o Rio! Viva o Brasil!

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