Moça, você não é obrigada a nada

feministas

“Quem me culpa? Muitos, sem dúvida, e me chamarão de insatisfeita. Não podia evitar: a inquietação era da minha natureza; às vezes tanta agitação me doía”

Charlotte Brontë

 

Há algum tempo venho acompanhando a aglomeração de debates acalorados nas redes sociais sobre o feminismo. A visibilidade das discussões cresce e o entendimento de causa fica ofuscado. Infinitos textos são propagados, compartilhados, curtidos e ovacionados pelos usuários. Todos eles. Os debates nascem e com eles o desrespeito e a intolerância dão as caras. Para infelicidade geral. E assim, nenhum argumento fundamentado aparece e quando aparece não são lidos e muito menos absorvidos.

No meio dessa fonte de infinitas possibilidades que é a internet nos deparamos com vários significados que as pessoas fazem de tudo. E um pouco desse tudo é o feminismo. Na internet, para muitas pessoas, ele está estigmatizado. Ou seja, sofre de um estereótipo pouco amistoso. Pseudoconhecedores acreditam que o movimento não passa de um grupo de mulheres que não gostam de homens, que desejam ser melhores e maiores que eles e ainda dominar o mundo. E deixá-lo sem os tais, claro. Pouco convincente, não é?

Nessa abertura de coluna venho com um texto guardado desde que conheci uma página na rede social. ‘Moça, não sou obrigada a ser feminista’ é o nome dela. Intriguei-me com esse nome e por fim entristeci. Será que a História não contou para elas o que foi o feminismo?

Será que nenhuma pesquisa atual de acadêmicas incansáveis ou até mesmo relatos de militantes não chegaram a elas? Não cabe aqui e agora contar a história ou enumerar pesquisas. Indico o bom e velho ‘pesquise’. Há muita gente boa produzindo e militando. Mas nas poucas e consideráveis linhas que restam eu digo, com a firmeza de uma iniciante na pesquisa sobre gênero e com os olhos abertos de quem tem quase quatro anos na militância, que o feminismo não veio para te obrigar a nada. Muito menos a ser feminista. Isso acontece de maneira natural, com conhecimento disso que aqui falo e por gosto mesmo. Mas obrigar não. O propósito, que com dificuldade vem sendo tentado, é obrigar que o respeito exista. Que a educação passe a ser obrigatória. Algumas grosserias aparecem quando sabemos que ainda não vivemos, obrigatoriamente, numa sociedade igualitária para as mulheres. Obrigação mesmo nós queremos para o fim da violência contra a mulher. Tanto a branca quanto a negra, a periférica e a indígena. E todas as outras.

Obrigação é uma palavra que não devia calhar nesse contexto. A consciência devia saber o que é considerável e o que não é. O que é respeitoso e o que não é. E como chegar nesse nível jedi de percepção de mundo? Procuro acreditar que a educação ainda é a melhor escolha. Sendo ela plural, libertadora e de qualidade. Mas ainda estamos no caminho, somos obrigados a lutar pelo inexistente.

Gostaria de trazer a leveza e resistência que pretendo em edições futuras. Falar das nossas grandes mulheres, as que lutam, as que gritam, as que pintam, as que escrevem. As que sobem no palanque e exigem uma sociedade melhor. As que dentro dos seus poemas imaginam e sentem o ser mulher. Mas o choque da primeira impressão é necessário. É obrigatório.
A propósito moça, lembre-se, você não é obrigada a nada. Apenas a ser respeitada.

Leia mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *