Regis

179brandy

Eu não podia parar de te olhar. Era um tormento. Cada movimento seu, ímã para mim. Pensei que com o passar dos dias, das noites, das conversas, este fascínio fosse ganhando a cor pálida de um amor sem correspondência e eu voltasse mansa e conformada para o meu casamento.

Mas não, Regis. Não! Em vez de perder força, meu desejo foi aumentando e tudo que vinha de você me encantava ainda mais. Os detalhes mínimos me atraíam com a força de mil sois. O jeito como você colocava a mão no bolso, o tique de levantar a sobrancelha ao falar, o riso largo das piadas fora de hora. Tudo se debruçava nos códigos da paixão.
Naquela noite, eu não pensei. Meu marido, meus filhos, meu cotidiano seguro e intocável não sustentaram minha mudez.

Só me levantei e declarei meu amor porque seus olhos me deram coragem. A sala quieta, atônita, todos incrédulos. Minhas palavras ecoavam no silêncio que se fez a partir do amor – as pessoas não suportam o amor.

Depois, sua risada de deboche, o escárnio, a repulsa. Tirou o copo da minha mão como se fosse ele que falasse por meu coração.

Mas eu sei, Regis, eu vi, por um momento, um momento apenas, seus olhos sorriram para mim. E é por isso que eu estou aqui, alma nua a esperar por você.

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