A mente autoral de Valdir Cruz

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Entre 19 de agosto e 4 de dezembro de 2016, o fotógrafo paranaense, nascido em Guarapuava, Valdir Cruz estará expondo as suas fotografias no Museu Oscar Niemeyer: “Valdir Cruz: Imago – o olhar do sabiá”. Tive o prazer de conversar com ele nas dependências do MON enquanto prepara a mostra.

O hoje respeitado e criativo fotógrafo foi em 1978 para Nova York para exercer a sua profissão de torneiro mecânico. Em um piano-bar que frequentava, conheceu um fotógrafo da National Geographic Magazine que o incentivou a fotografar. De posse de uma Nikkormat ft3 com uma objetiva 50mm, começou a fotografar um cemitério no inverno. Quando o amigo incentivador revelou o filme, revelou também o talento de Valdir. Perfeito enquadramento e percepção da luz. Começou sua carreira na câmara escura onde aprendeu a ciência e a arte das cópias e ampliações em preto e branco. De seus 32 anos como fotógrafo, calcula que passou mais de 7 anos como prisioneiro da sua câmera escura. Fez ampliações em edições limitadas para vários mestres fotógrafos. Em 1983 cursou uma escola de fotografia. Além do laboratório, descobriu a arte da fotografia em estúdio.

Valdir vive em Manhattan, no West Village, onde tem seu estúdio e laboratório. Mas nunca descuidou de fotografar sua terra natal. Quando montava uma exposição de suas fotos na Casa Romário Martins em 1991, teve a oportunidade de conhecer o então prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Este lhe propôs um trabalho fotográfico sobre a Catedral Metropolitana de Curitiba. Entre 1991 e 1993 esteve por 4 meses na cidade para fotografar a Igreja. Usou uma câmera de fole no formato 18x24cm e filme Tri-X. Para a revelação dos negativos, contou com a ajuda do saudoso fotógrafo Geraldo Magela, tragicamente morto em um desastre de automóvel. O livro “Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais” foi editado pela Brave Wolf Publishing.

Em 1994 expôs fotos do interior da famosa Catedral de São João, o Divino de estilo gótico de Nova York, situada na 1047 Amsterdam Avenue. A jornalista Lilian Witte Fibe, da Globo, deu um destaque em seu programa. Venceu uma bolsa da Fundação Guggenheim entre 1995 e 2001 para fazer uma trabalho em 35mm, P&B, na Amazônia. Publicou em 2013 um livro sobre sua cidade Natal, Guarapuava. Seu último projeto, que já dura 4 anos, são fotografias e depoimentos de pessoas com câncer e que estão internadas no Hospital do Câncer de Barretos, SP.

Valdir Cruz vive de sua mente autoral. Só fotografa aquilo que fala à sua sensibilidade. Algo que desperte nele sua criatividade e invenção.
Outros trabalhos: “O Caminho das Águas” e “Faces da Floresta – os Yanomami” editados pela Cosac Naify; “Raízes” – árvores na paisagem de São Paulo – Imprensa Oficial 2010; “Guarapuava” – Editora Terra Virgem 2013.
Sua casa/estúdio em Nova York abriga entre 50 e 60 mil negativos em vários formatos e aproximadamente 4 mil cópias vintage.
Do pouco que, até agora, pude ver do trabalho de Valdir, posso afirmar que é um mestre. Recomendo minuciosa e atenta visita ao seu trabalho no MON.

 

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Mostrador do relógio da torre oriental

 

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Arlindo Soares, Tropeiro, 1990

 

03-Valdir_Cruz

Mãos, 2003

 

04-Valdir_Cruz

Salto São Gerônimo, II, 2005

 

05-Valdir_Cruz

Tropeada, I, 1990

 

06-Valdir_Cruz

Representação do Paraíso Perdido

 

07-Valdir_Cruz

Mulher Cigana, I, 1991

 

08-Valdir_Cruz

Trindade Soares dos Santos, 2003

 

09-Valdir_Cruz

Salto São Francisco, III, 2011

 

10-Valdir_Cruz

Quedas do Iguaçu, XI, 2002

 

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