Tem político demais

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Precisa-se de um Príncipe de Salina para acordar os políticos. É urgente. Eles chegaram ao fundo da cloaca. É preciso que mudem alguma coisa se querem sobreviver e preservar privilégios. Os brasileiros perderam a paciência e já não engolem o sistema, os métodos e, principalmente, os vícios.

Olha o caos. O Brasil tem mais de 30 partidos, dos quais pelos menos uns 20 são apenas legendas de aluguel, sem ideologia, sem ideias, sem programas. Não servem para nada, a não ser para proveito dos próprios donos desses partidos.

Tem Estado demais – e quer saber? Tem político demais. Tem deputado federal demais, tem deputado estadual demais, tem vereador demais. E, como tem demais, eles criam leis imbecis, como a lei municipal que exige que toda porta de elevador tenha uma plaquinha a exigir que antes de entrar no elevador o cidadão deve verificar se ele está parado no seu andar.

É Estado demais. É lei demais. Nestas eleições municipais de agora, haverá um aumento assustador no número de candidatos a vereador. Porque ser político com mandato é bom demais para quem sonha enriquecer rapidamente e não confia na sorte para acertar os números da loteria. Ter um mandato eletivo neste Brasil brasileiro pode ser melhor negócio que ganhar na loteria. Temos um deputado nativo que ganhou seis vezes na loteria, nem por isso abandona o mandato.

Para que Curitiba precisa ter 36 vereadores? Por que a Assembleia Legislativa precisa ter 54 deputados? Por que raios a Câmara Federal tem que ter 513 deputados? Sou um ser político. Acredito em política. Acredito profundamente na importância do equilíbrio entre os três Poderes. Acredito profundamente na importância do Parlamento. Mas está ficando difícil.

A imensa maior parte das pessoas não acredita em política, não vê importância alguma no Parlamento, na representação parlamentar, seja municipal, estadual, federal. E o descrédito só aumenta, porque a imensa maioria dos parlamentares, em todos os níveis, se esforça ao máximo para demonstrar às pessoas que ter Parlamento não serve pra nada, a não ser gastar os tubos do dinheiro que pagamos em impostos, roubar outro tanto, e piorar a vida da gente no dia a dia.

Falta um Príncipe de Salina neste país. Está faltando alguém que convença os políticos de todos os matizes que, deste jeito que as coisas andam, há um perigo enorme de eles perderem não só os anéis, mas todos os dedos, cargos, mamatas, sinecuras, prebendas, benesses, tudo. Está faltando eles compreenderem que é preciso mudar, se quiserem que as coisas continuem mais ou menos como estão.

Os políticos envolvidos em tantos escândalos de corrupção, incluídos os réus da Lava Jato, acharam que poderiam roubar todos os elefantes do circo sem que ninguém percebesse. Temos uma quadrilha, a do lulopetismo, que achou que poderia roubar o circo inteiro sem que ninguém percebesse. E apesar de todos os esforços de Sergio Moro, da Lava Jato, em expedições punitivas, políticos continuam, impávidos, a roubar.

Está ficando difícil para as pessoas. Há hoje no país o que se parece com uma imensa apatia diante da política. A apatia de hoje, símbolo de desprezo por todos os políticos, pode virar revolta. E custar muito caro para quem se dedica à ladroagem que domina o Senado, a Câmara Federal, as Assembleias e se locupleta nas tetas dos governos.

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