13 anos cabalísticos

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Nem todos os candidatos a prefeito e vereador do PT ousam definir a própria identidade, a estrela e o número da zebra, tão vitorioso nos treze anos. Da mesma forma que Michel Temer tenta fugir do público para driblar a vaia, os lulopetistas buscam ocultar a própria face. Aliás no Paraná isso foi flagrante mesmo em campanhas bem sucedidas do passado como a de Ângelo Vanhoni  para prefeito de Curitiba que saiu à frente no primeiro turno, mas embasbacou-se num debate com Cassio Taniguchi e não suportou a mobilização final do lernerismo.

Diante do impeachment consumado e em meio às massivas reações ao novo presidente, um sujeito sem predicados e sem história, pobre de currículo, beneficiário do velho oportunismo das elites no aproveitamento do vazio criado com o afastamento de Dilma Rousseff, a nova ordem não encontra facilidades para impor-se tal o grau de arregimentação oposicionista em torno do qual a maioria parlamentar não soube desenvolver ações neutralizadoras, tanto no país como no exterior, onde não se pode subestimar, especialmente na União Europeia, a resistência crítica ao processo brasileiro, mesmo com toda a sua ritualística meio rococó.

Aí é hora de ver a contabilidade das forças em atrito: esses 13 anos, em que houve momentos frutuosos do lulopetismo em termos de avanço social, foram densamente irrigados por algo com maior durabilidade, a imanência do Plano Real que durou, portanto, além dos oito anos de Fernando Henrique Cardoso, praticamente todo o período de Lula mais parte é claro do de Dilma Rousseff antes do sinal da catástrofe e do seu esgotamento.

 

Analogias na balança

Com o retorno furioso da inflação por forças dos descontroles de gestão está praticamente recriado o clima gerado pela ação de um vice, aquele que substituiu Fernando Collor, Itamar Franco, que ao contrário do atual investido tinha história, inclusive como governador de Minas Gerais onde deu (indo além, muito além da bravata) uma de Roberto Requião, diante do anúncio das privatizações do setor energético, ao ocupar hidrelétricas com o estamento da sua Polícia Militar, certamente conotando que Tiradentes, como miliciano, também o faria.

O que sobrava em Itamar falta em Michel Temer que quando entra em ação mantém a polarização oposicionista e não acrescenta prosélitos em seu lado, em que pese a forte arregimentação de empresários e de suas respectivas entidades a seu favor em nome da recuperação da economia. Ademais não sabe como bloquear a visão oposicionista de que o receituário que vem aí é para castrar as mínimas condições sociais o que facilita a montagem de um cenário, adequado às forças de esquerda, de luta de classes entre poderosos e os destituídos, velha simbologia que beneficiou sempre o lulopetismo mesmo depois de evidenciado o seu contubérnio com os ricos, alguns dos quais hoje na cadeia sob as ordens de Sérgio Moro e da força tarefa que o respalda.

Como é hora de balanço e dá para firmar o primado do Plano Real, pela durabilidade e vigor, e sobretudo sustentabilidade, sobre os treze anos de lulopetismo, dá para concluir que a Lava Jato como expectativa de restauro civilizatório está acima, muito acima, do que a avaliação de Dilma e Temer pelas eventuais esperanças que tenham gerado que se dissiparam ao contrário a da esperança restabelecida no Brasil, desde o mensalão, contra a impunidade e a força da corrupção.

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