Antônio

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Eu não queria nada. Não estava interessada. Nome, idade, profissão, preferências. Nada em você me despertou curiosidade. Era como se eu estivesse num lugar suspenso, longe daquela reunião em que todos fingiam alegrias e alimentavam ilusões na base do vinho. Você fazia parte da paisagem, sem destaque, sem roteiro, sem papel. Era como todos.

Eu queria esquecer o mundo e meus motivos, queria trocar o que sempre me levou para os braços de um homem por uma decisão. Só isso, uma decisão. Fechei os olhos e pensei que meu eleito seria aquele que eu alcançasse no momento em que voltasse a participar da festa.

Foi você, Antônio, foi você quem vi primeiro. E foi por isso que te carreguei para o meu quarto. Foi por isso que tirei sua roupa. Foi por isso que deixei que você tirasse a minha. Foi por minha decisão e escolha que permiti que você caminhasse por minhas trilhas e descobrisse alguns dos meus segredos.

Naquela noite eu não tinha vontades de futuro. O mais longe que poderíamos chegar era ao beijo final, ao beijo de adeus; e você sairia do meu quarto antes que eu adormecesse. Foi assim que eu quis, Antônio, assim decidi.

Mas eu não sabia daquela vontade de ficar com você um pouco mais. Não contava com o desejo de me aninhar em teus braços. Não tinha visto ainda a cor dos teus olhos. Não imaginava que o seu gosto era assim. E não conhecia o toque das suas mãos.

Antônio, falharam meus planos, eu não sabia que iria me apaixonar. Por favor, venha até o meu quarto mais uma vez. E outra. E mais uma.

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