O inferno são os outros

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Sartre disse que estamos condenados a ser livres. O caso não se aplica a Lula. Está cada vez mais próximo de estar condenado a ser condenado. Agora é réu na Lava Jato por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, palavras pouco elegantes para circundarem a imagem de um ex-presidente.

Sem a máquina na mão, pouco tem a oferecer aos duvidosos ministros do STF e sua prisão é algo cada vez mais palpável. Sartre também disse que “o inferno são os outros”. Quase se aplica a Lula. Para ele, o inferno é o juiz Sérgio Moro. Mas não visitará o capeta sozinho, Marisa Letícia, sua esposa, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, além do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Fábio Hori Yonamine, Paulo Roberto Valente Gordilho e Roberto Moreira Ferreira também terão que acertar contas com Moro, diabo para uns e deus para outros.

No dia 20 de setembro, Moro aceitou a denúncia da força-tarefa da Lava Jato contra Lula que o colocou como eixo central do Petrolão, Lula nas palavras de Deltan Dallagnol é o “comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava Jato”, é o poderoso chefão sem a classe de Marlon Brando.

Hoje, o ex-presidente da República assumiu o papel conferido ao estóico José Dirceu no mensalão, que não entregou o companheiro de partido que naquela altura proliferava, assim como agora, o tal do “não sei de nada” ou como sentencia Homer Simpson: “já estava assim quando eu cheguei”.

Segundo os investigadores da Lava Jato, o ex-presidente recebeu, apenas no caso relacionado ao tríplex, benesses de 3,7 milhões de reais “oriundas do caixa geral de propinas da OAS com o PT”. Como ele é alvo de outras apurações no Petrolão, incluindo os nebulosos pagamentos por palestras, por meio da L.I.L.S. Palestras, Eventos e Participações, as vantagens indevidas devem ser confirmadas em escala exponencial. Dos cerca de 55 milhões de reais que o Instituto Lula e a L.I.L.S. receberam de empresas, mais de 30 milhões de reais foram repassados diretamente por empreiteiras enroladas com o escândalo na Petrobras. E mais: Lula, que não foi denunciado por organização criminosa pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, é alvo de uma investigação sobre o tema em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Para Moro, há indícios de que Lula teria sido beneficiado pelas vantagens pagas pela empreiteira OAS e que sabia que a origem do dinheiro era o esquema de corrupção que desviou recursos da Petrobras. “Luiz Inácio Lula da Silva seria beneficiário direto das vantagens concedidas pelo Grupo OAS e, segundo a denúncia, teria conhecimento de sua origem no esquema criminoso que vitimou a Petrobras”, disse o juiz em seu despacho.

Lula vê todos que foram ou são próximos desmoronarem. Dia 22 de setembro caiu o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega. O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, foi condenado no dia 15 a nove anos de jaula. E assim o circo se fecha.

Enquanto isso, Lula se defende como sempre fez, desde os tempos de sindicalista, ataca! Ataca, pois lhe faltam argumentos contra os fatos. Agride Moro e os procuradores da Lava Jato. Mas, agora suas munições estão a acabar, já perdeu o governo, perdeu apoio, em breve perderá a liberdade.

Diz o advogado que atuou no mensalão e atua na Lava Jato que, caso Sérgio Moro condene Lula por todas as sete imputações de corrupção e lavagem de dinheiro que constam na denúncia do Ministério Público, o juiz deve dar de 50 a 70 anos de prisão para o ex-presidente. E aí, Lula já não poderá mais ser condenado a ser livre por obra divina, demoníaca ou jurídica de Sérgio Moro.

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