Prateleira. Ed. 180

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Carolina Maria de Jesus. Foto: Divulgação

A escritora favelada do Brasil

Jessica Stori

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Nada davam a ela de completo. Viveu por muito de tempo de restos. Papel, comida, fama. Carolina Maria de Jesus, escritora improvável, como Joel Rufino a chama, foi a escritora favelada do Brasil. Diferente da maioria dos seus vizinhos e moradores da favela de Canindé, em São Paulo, ela era alfabetizada e escrevia sempre. Todos os dias. Era seu verdadeiro ofício. Carolina eternizou os momentos de sua vida nas folhas velhas que encontrava nos lixos por onde andava. E era escritora, trazia a poesia na sua realidade marginal. Chocava e ainda choca quem entra em contato com o seu primeiro livro publicado. Quarto de Despejo: diário de uma favelada é um compilado de textos de uma diarista frenética. Quem a impulsionou e tornou real uma publicação para Carolina foi o jornalista Audálio Dantas. Ao fazer uma reportagem na favela de Carolina a encontrou e foi fascínio com a vida e escrita. Viu talento, arte e uma mulher poderosa. Confiante, Carolina entrou no sonho e teve carreira frutífera por pouco tempo. Conheceu Clarice Lispector, Jânio Quadros e viajou o mundo para lançar seu livro. Já na segunda obra ela não teve o mesmo sucesso e aos poucos foi voltando ao lugar que o mundo designa aos pobres e excluídos. Morreu pobre, sem reconhecimento. Mas nunca deixou de escrever. Hoje inúmeras pesquisas preenchem a lacuna da vida de Carolina. Mostram importância, mostram desigualdade. A literatura marginal existe e precisa vir à tona. Veio Carolina e que venham mais. O Quarto de Despejo está lotado de arte.

O meu nome é Severino

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Teatro, cinema, televisão e desenho animado. Tudo para Morte e vida Severina. Todas as vozes. Livro que conta a ida de um migrante sertanejo até a capital de Pernambuco em busca de uma vida menos precária, mais vivida. A andança é feita em poesia. Limpa e bonita. Boa de leitura em alta voz. Um antes e depois de Recife inventado e sentido por João Cabral de Melo Neto, poeta e diplomata pernambucano.

Saudosa saudade

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"Eu sou um anarquista! Um anarquista no sentido melhor da palavra. O povo crê que anarquista é aquele que põe bombas, mas anarquistas foram os grandes espíritos como, por exemplo, Leon Tolstoi.” Esse era Ernesto Sabato, escritor argentino que tanto deixou palavras pelo mundo. Por completo, Sabato dedicou-se a arte, elas todas, se entregava às linhas românticas e ensaiadas e também era artista plástico. A Resistência, seu livro de 2000, reúne vários textos sobre o que viveu, o que sentiu e sobre o seu mundo. Um único e tão nostálgico para o escritor. Já entendia o poder da tecnologia e o que ela podia fazer com as pessoas. Reclamava bastante da televisão. Achava hipnotizadora, alienante e uma borracha para a vida bela, dos caminhos pelas ruas, das conversas de bar e de um sono leve numa grama verdinha. Bom, para tudo há o seu lado positivo, mas espero que ela não possa ver o que os celulares estão a fazer com as pessoas nos dias de hoje. Viva Sabato e sua resistência.

Cem anos sem Sá

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2016 é ano do centenário da morte de Sá Carneiro. Poeta, contista e ficcionista português. Melhor amigo de Fernando Pessoa e grande nas linhas e sentimentos. Era da Geração d’Orpheu, grupo que introduziu o Modernismo nas artes e nas letras portuguesas. Sá foi homem conturbado, como todos. Preferiu não perdurar nos desbotados caminhos da vida. Suicidou-se jovem. Deixou seus poemas e contos cheios de sua aflição e beleza. A Confissão de Lúcio, um dos seus livros mais importantes, carrega todo o ser do autor e junto suas obsessões: o amor, a loucura e o suicídio.

As mil e uma noites

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Do Médio Oriente e do sul da Ásia para o mundo. Os contos compilados em língua árabe que preenchem o livro As Mil e Uma Noites apareceram a partir do século IX para os orientais. Mas somente no século XVIII, em 1704, chegou ao Ocidente. A partir da tradução do orientalista Antoine Galland para o francês a obra corre pelo mundo e torna-se um clássico da literatura mundial. As histórias que compõem o livro possuem origens do folclore indiano, persa e árabe. 

Dicionário de filosofia

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Ao pegar os clássicos da filosofia com seus conceitos herméticos, o desespero às vezes invade a leitura. Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel, Husserl inventaram aquilo tudo, não é possível que não compreendamos. Sim, muitas vezes é possível. Por isso que é sempre bom ter ao lado um dicionário amigo. Tratando-se de filosofia o melhor é o de José Ferrater Mora, mais que um simples dicionário, uma enciclopédia da filosofia. Foi o seu dicionário que o deu fama, uma obra que o seu autor foi pacientemente elaborando, refundindo e ampliando.
Ela patenteia não só a vasta e quase incrível informação que Ferrater Mora possui sobre toda a história da filosofia e sobre todas as disciplinas filosóficas – e uma também excepcional informação científica e humanística –, mas ainda uma impressionante capacidade de síntese.

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