O Angelino

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Penso que não há dúvida de que a iniciativa privada é fundamental para o desenvolvimento de um país. O que um ou mais empreendedores desenvolvem e produzem, a se comunicar e a satisfazer o seu público-alvo, traz uma tripla vantagem. Para os empreendedores do negócio, para seus funcionários e para os consumidores finais. Seja uma prestação de serviço ou um bem de consumo. E uma quarta vantagem, não financeira, pode advir do bem que proporciona à sociedade como um todo ou a uma parcela dela. Quando o produto ou serviço serve para preservar ou salvar vidas.
Renato Cavalher, publicitário, paulista de nascimento e curitibano de coração, desenvolveu a ideia do Angelino, o anjinho distraído, para conscientizar pais, educadores, parentes, babás, todos os que lidam com crianças. Pai de dois filhos, hoje adultos, Cavalher passou maus bocados durante a infância deles. Como disse a poeta Alice Ruiz num feliz haikai:

um ai
quando um filho
cai

Quando se deu conta de que a principal causa de mortalidade infantil no mundo inteiro são os acidentes, resolveu arregaçar as mangas e pensar em alguma coisa para reverter este trágico quadro: 5.000 óbitos por ano, mais de 100.000 internações hospitalares, de quatro crianças atendidas em hospitais uma volta com uma sequela permanente (amputações, paralisias, fraturas, queimaduras e todo o tipo de ferimentos). Dados do nosso país. Principais acidentes: trânsito, quedas, afogamentos, intoxicações, queimaduras, sufocamentos. Segundo a Unicef e a ONG Criança Segura, 90% dos acidentes são fáceis de prevenir.

Ao pesquisar, Cavalher descobriu coisas interessantes. Martin Eichelberger, nascido em Salvador, Bahia, foi com 16 anos para os Estados Unidos onde se formou em medicina com especializações em pediatria e cirurgia. A morte de crianças em cirurgias o fez pensar que o melhor a fazer seria a prevenção dos acidentes. Criou a Safe Kids em 1987. O Brasil foi o segundo país a ter um escritório da ONG Criança Segura, hoje em mais de 20 países.

QUE FAZER?
Primeiro fez o curso “Multiplicador em Prevenção de Acidentes com Crianças”.

Em suas palavras: “Como não resisto a uma boa causa, passei a contribuir voluntariamente com o que sabia fazer, como publicitário: passei a criar anúncios e filmes para disseminar o trabalho da ONG. Eles atuam fortemente junto ao poder público (por exemplo, fizeram passar a Lei da Cadeirinha, entre outras) e faziam o trabalho de comunicação voltado aos adultos. Um dia, conversando com a coordenadora da Criança Segura no Brasil, Alessandra Françóia, sugeriu iniciar esse trabalho de informação com as crianças, por meio da criação de um personagem infantil, um anjinho, só que distraído. Por isso, ele acaba se envolvendo nos acidentes, onde a vítima é sempre ele mesmo, assim as crianças saberiam o que fazer e, principalmente, o que não fazer para evitar os acidentes. Nascia então o Angelino. Uma das recomendações da coordenadora foi nunca transferir a responsabilidade de evitar acidentes para as crianças, portanto começamos a produzir conteúdos que pudessem ajudar as crianças a perceberem os perigos e desenvolver o senso de autoproteção, mas sempre envolvendo os pais, que acabam aprendendo muito mais.

A seguir veio uma coleção de quatro livros, abordando os principais acidentes com as crianças não só em casa, mas na rua, na escola, na praia, no campo e na casa dos avós e outros parentes. Fizemos também um Manual de Prevenção de Acidentes com Crianças que, com o apoio de empresas, distribuímos gratuitamente para os pais em eventos diversos. Criamos também uma peça de teatro educativa (nas versões atores e fantoches) e diariamente publicamos em nosso blog e nas redes sociais dicas de prevenção de acidentes e cuidados com as crianças.

Recentemente, iniciamos o Programa Escola Segura, que visa aumentar a segurança nas escolas por meio da vistoria das instalações e mudanças na infraestrutura, curso de capacitação com os educadores e atividades durante o ano todo com as crianças e os pais. Esse programa acabou ganhando um irmão nas casas das crianças. O Programa Condomínio Protegido também oferece esse mesmo conteúdo e atividades para as áreas comuns dos condomínios residenciais.

Para o futuro, está prevista uma linha de produtos para a proteção do lar, com protetores de quinas, tomadas e travas de portas e armários.”
A empresa 97Graus toca os projetos. Foi fundada por Renato Cavalher e pelos ilustradores Toni e Laise Rodrigues. No início de 2016 a publicitária Daniela Capeletti, hoje Cavalher, entrou na sociedade e é responsável pelas parcerias e apresentações do projeto.

O Angelino tem uma finalidade de expansão de negócios e ao mesmo tempo preenche uma séria lacuna na área da segurança infantil. Ao dedicar um precioso tempo de suas atribuladas vidas a pensar no bem-estar do próximo, a evitar mortes que com um pouco de cuidado poderiam ser evitadas, Renato, Daniela, Laise e Toni não pensam somente em negócios mas, antes de tudo, em preservar vidas.

Para quem tiver interesse em saber mais sobre o Angelino:
www.angelino.com.br
www.facebook.com/angelinoanjinhodistraido/
www.youtube.com/watch?v=fps1o2YY_Jw&list=PLVmzcCG5mJder_WAEsFH9qDqPyuXRL8pK

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