Editorial. Ed. 183

O Brasil naufragou no populismo, o que agora nos custa muito caro. Em nome do nacionalismo, do anti-imperialismo e da fraternidade com os miseráveis, o PT e suas metástases armaram um plano que os manteve por 13 anos no poder. O suficiente para instalar a corrupção sistêmica que entranhou em todos os desvãos da vida pública brasileira. Perderam o poder quando a classe média percebeu que ficou à margem da história, conduzida por políticos de clientela que usufruem o trabalho do povo em vastas burocracias estatais.

É triste. O país que se dizia do futuro foi bem melhor no passado. A crise é braba. Consumiram todas as poupanças internas, invadiram os cofres da Petrobras até destruí-la, estenderam suas garras às outras empresas públicas que só não viraram escândalos porque a Lava Jato ainda não teve tempo de investigá-las, tamanho é o rombo e os roubos na estatal do petróleo. Lá fora, no grande capitalismo, o Brasil voltou a ser “lepra” para os investimentos. Por favor, as sociedades de hansenianos devem entender que uso aqui a palavra “lepra” figurativamente, tal qual ela corre na linguagem dos investidores.

O desastre atingiu também a vida intelectual. Nossa pequena-burguesia letrada, politizada em publicações de quadrinhos e apostilas, coitadinha, não consegue imaginar mais que a repetição do 1968 francês por aqui. Agora, nem isso, é escorraçada das grandes manifestações.

É pena. À custa de muito sacrifício popular o Brasil teve uma infraestrutura para o desenvolvimento industrial e tecnológico. Perdeu sua melhor oportunidade nesses anos de equívocos na política externa, Lula a cortejar os pobres periféricos para ter voto na ONU e talvez um dia ser o secretário-geral. Torramos nossas reservas em apostas erradas, como foi a escolha de empresas para receber doses estimulantes de capital. Deu no que deu. Eike Batista locupletou-se em milhões do BNDES. Igual a ele, outros tantos, amigos do rei. E as empreiteiras que sugaram recursos do BNDES para falcatruas em obras aqui e no exterior.

A corrupção é o traço mais marcante da vida brasileira nos últimos anos. Os grandes jornais do mundo publicam, pasmos, que o processo de corrupção no Brasil foi o maior que já aconteceu nas democracias ocidentais em toda a sua história. Um dado que ajuda a espantar interessados em se instalar nesta área do planeta. Nossa recuperação será lenta por isso e porque não temos projetos sólidos e estruturados.

Nossos políticos hoje lutam apenas por seus interesses, continuam a prevaricar e trabalham para evitar a prisão iminente. Só na delação premiada da Odebrecht estão apontados mais de 200. O presidente do Senado é réu por crime de peculato. O presidente da República pode não chegar ao fim de seu mandato tampão. O PT, defenestrado por corrupção, exulta e sai às ruas para tocar o terror.

A Operação Lava Jato e o juiz Sérgio Moro são esperanças de que ainda venhamos a ver a face real desse imenso organismo da corrupção que contaminou todas as instituições, sem exceção. Quem sabe? A esperança é a última que morre, sem dúvida, mas tudo indica que está agonizante. Nossa vocação para a besteira e a safadeza é radical.

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