Guerrilha urbana

ilana

Em busca de uma cidade melhor e mais digna, voltada para as pessoas, milhares de pessoas viraram guerrilheiros urbanos. E não é gente que preza a violência, muito pelo contrário. A guerrilha é um gesto de amor, de delicadeza e de gentileza urbana.

Cansados de esperar pelos poderes públicos, nossos guerrilheiros são aqueles que tomam uma ou várias questões da cidade em suas mãos e vão fazendo um trabalho de formiguinha para transformar seu pedaço de chão. Gente comum, sem cargos, que doam seus dias, suas horas, para apoiar ideias e valores. Muitas vezes, a maioria delas nem são em beneficio próprio, mas é gente que pensa no coletivo, no futuro. Gente que tenta um caminho alternativo no melhor sentido da palavra.

Os motivos de combate são vários. Tem a turma do verde, que faz reflorestamento, parques ou hortas comunitárias em qualquer cantinho disponível. Tem a turma da bicicleta, que conseguiu fazer os governantes entenderem que a magrela há muito deixou de ser diversão e passou a ser um meio de transporte a ser levado em conta. Tem a turma da economia coletiva, enchendo a cidade com seus bazares. Tem a tribo da arte e da cultura, transformando regiões degradadas da cidade em lugares novos e cheios de vida. Todos vêm ganhando espaço e importância na vida das cidades.

Na verdade o que pode parecer uma batalha é mais um processo curativo. Estão todos fazendo as suas acupunturas urbanas, trazendo a cura através de pequenas intervenções num paciente cheio de feridas e cicatrizes.

Posso ser uma romântica, mas essa turma me enche de esperança. Tento fazer parte desse universo, das pessoas que pensam a cidade na escala do humano. Porque, afinal, é isso mesmo que a cidade é. Antes de ser um emaranhado de ruas e problemas, a cidade é a casa da gente ampliada. São diversos microcosmos que vão se juntando e podemos fazer com que cada um deles seja melhor, mais solidário, mais simples, mais eficiente, mais pleno. Garanto que o retrato macro mudaria também.

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