Precipito-me

jessica

Hoje eu sou a beira do colapso
olho no fundo escuro do fim
não há
hoje não caio mas precipito-me
sou o precipício
pronto, ali
não cedo e não pisco
sou o pretérito imperfeito que tarda a morrer
como uma pedra em cima do que há
olho o fim, o medo, o monstro
ainda lá embaixo
ele irá emergir
não pense que não, não acredite que não, não me veja como louca não
ele virá com toda força
sua massa corporal é viril
não cede, não mede
e não há limite no terror do seu amor
hoje eu não me oponho, nem ninguém
os lados e direções podres estão
sozinhos nas suas alienações
contra todas alienações
enganados, equivocados, perdidos
há sombras perambulando pela caverna que chamamos de vida
medo
e o que há no fim é só uma lagoa
pantanosa morada do monstro
que dorme, que está vestido de gigante
não aquele que esperávamos
irão acordá-lo
não há escapatória
não há voz
só a beira, o precipício, o prédio, a arma e a corda
todos os caminhos levam a ele
as sombras clamam
chamam
e hoje eu sou o colapso, à beira
um olhar precipitado

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