Princípio de isonomia: políticos, todos iguais?

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Ao que tudo indica, as lavas do vulcão Odebrecht atingirão a esmagadora maioria da classe política, se é que não pega o conjunto da fauna. É o que se depreende dos vazamentos das delações de executivos da empresa e, pelo jeito, o tom abrangente e detalhado das operações dá a impressão que ela faz, ao mesmo tempo, uma espécie de autocrítica, depois de firmar publicamente um novo decálogo comportamental em termos éticos.

Para um governo como o de Michel Temer, que encontra extrema dificuldade em ser aceito mesmo por aqueles que aprovaram o impeachment de Dilma Rousseff e tenta levar avante um plano de contenção com a PEC do teto dos gastos e por haver levantado, de forma aberta, a questão do caos previdenciário, o tsunami das delações passa a constituir-se numa barragem para seus esforços de manter a base aliada unida em torno da austeridade anunciada. Para quem perdeu seis ministros em meio ano – e corre o risco premente de novas defecções – e vê ainda a sua popularidade desabar junto com a do seu governo, pelo jeito o rumo é o de ajeitar-se na condicionante de novas e estarrecedoras adversidades.

Para esse tipo de tempestade não haveria bonança se não vivêssemos no Brasil, onde se torna viável um acerto de conveniência como o havido para contornar o choque institucional entre o Senado e a mais alta corte de justiça e aquele outro no fatiamento da punição a Dilma com a preservação dos seus direitos políticos. Para os cínicos essas situações são de normalidade e não insólitas, razão pela qual, lá na frente, haverá quem considere normal e praxística, portanto com jeito de “direito adquirido”, a forma de financiar campanhas eleitorais apesar das dimensões da derrama.

O vazamento dos informes, que já deu margem à anulação processual em lance anterior, é uma das frinchas que podem ser arguidas, como aliás vem ocorrendo, pela oposição, fato que obrigou Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, a providenciar investigação, a mais rigorosa possível, sobre a ocorrência que é claro tende a expandir-se uma vez que foi criada certa expectativa na mídia para novos e sucessivos relatos. Se de um só dos delatores, Cláudio Melo Filho, atingiu-se todo o núcleo duro do governo, inclusive o presidente da República, é de imaginar-se o que está por vir.

Sem moral sustentável para reagir, e tocar o que pretende, a classe política enfrenta a dura verdade das suas distorções históricas e condena ao desalento uma população inteira que não vê o homem providencial, que tanto cultua por tradição para tirá-la do sufoco, e as pesquisas estão mostrando Lula à frente dos que hoje são seus adversários, batido apenas em simulação de segundo turno, imaginem só, por Marina Silva até aqui não referida negativamente.

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