Antonio Wolff, leitor e criador de imagens

dico abre

A primeira vez que vi o trabalho “Body suits” (título provisório) do fotógrafo Antonio Wolff foi na tela de um celular. Confesso que não me impressionou. Fiz outro juízo quando vi duas ampliações em grande formato numa exposição. Sim, existe a questão da escala. E na mesma exposição vi um auto retrato onde o seu rosto estava coberto por um objeto tridimensional feito de poliuretano pintado de branco que, pelo menos para mim, imitava uma pedra de rio. Um seixo grande que oculta o rosto do auto retratado e dá uma terceira dimensão à fotografia.

Quanto ao trabalho “Body suits”, já pronto há dois anos, Antonio o preparou com meticuloso e precioso cuidado. Sua criação passou por algumas reflexões e teve influência notadamente do escultor britânico Antony Gormley. De Gormley, as suas esculturas feitas com vários tipos de materiais que sugerem a forma do corpo humano em diversas poses e situações e a relação das mesmas com o espaço. Nas suas fotos a descaracterização da pessoa, do modelo, dentro de um body suit. Depois a procura e a escolha de um cenário. Optou por um que remete ao surreal, com alguns equipamentos de parque infantil abandonados. Ambiente de solidão, quase um ambiente de desesperança. Neste cenário o artista liga duas lembranças de sua vida, uma pregressa e outra atual. Fez isso com uma anamnese. De longe vem a lembrança de seu pai com ele em certos lugares desolados, parquinhos infantis em abandono que lhe marcaram a memória. A atual, o nascimento de seu filho, a experiência e a felicidade de ser pai.

Neste trabalho o fotógrafo joga com a descaracterização do ser humano, não um mero manequim sem vida, e o coloca neste espaço. No seu dizer é “o jogo do homem no espaço.” Uma espécie de embate da pessoa com o entorno. Um espaço vazio, diferente dos enormes vazios que o homem encontra durante a sua existência. Um pensamento pascaliano. Procura, com este trabalho, uma interrogação e uma posterior meditação para aqueles que olhem suas fotos.

Antonio procura e persegue o novo. Uma maneira nova de se ler e produzir imagens, fotografias. Nos dois longos papos que batemos concordei com algumas de suas posições e discordei de outras tantas. Mas o que ficou, para mim, foi mais do que positivo. Respeito sua visão da arte mesmo discordando de algumas coisas. Ele trabalha, pesquisa e experimenta. Não tem preconceito com a tecnologia, com os materiais e com as discussões a respeito da arte em geral. A pintura e a escultura têm grande influência em seu trabalho.

Antonio nasceu em Guarapuava e quando começou a trabalhar administrou empresas de sua família. Ao conhecer a arte fotográfica teve uma relação de amor e desgosto com ela. Aos 30 anos o que era um hobby virou profissão. Deve ao atento olhar do fotógrafo Daniel Katz o seu primeiro trabalho. Sua mulher, estilista de moda, ia lançar uma coleção de roupas e Daniel foi convidado para fazer o trabalho. Quando este viu suas fotos, ainda como amador, disse que ele mesmo poderia fazê-lo. Apesar da insegurança nestes primeiros cliques saiu-se muito bem tendo levado as fotos para São Paulo e obtido a aprovação de profissionais do ramo. Começou então sua carreira de fotógrafo publicitário. Esta profissão lhe dá condições de prosseguir em seu trabalho autoral.

Antonio está a desenvolver outros projetos, fotos e trabalhos em computador. Esperamos que ele nos traga mais trabalhos instigantes como este apresentado nesta edição.

dico 1) antonio wolff - auto retrato 2014 - objeto de poliuretano pintado sobre fotografia em papel de algodao - 90x97x23cm

dico 2) Antonio Wolff _ Works __bodysuits_ #C _photography 2014

dico 3) Antonio Wolff _ Works __bodysuits_ #A _photography 2014

dico 4) Antonio Wolff _ Works __bodysuits_ #D _photography 2014

dico 5) Antonio Wolff _ Works __bodysuits_ #g _photography 2014 from jpg

dico 6) Antonio Wolff _ Works __bodysuits_ #B _photography 2014

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