Autoritarismo nada pedagógico

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Há quem creia na educação pela pancada. O mestre de Latim, Mazzarotto, se flagrava um aluno em alguma falta, atirava o apagador em sua direção ou puxava-lhe os cabelos e o chamava de tongo. É mais fácil esse tipo de pedagogia na polícia e houve um delegado de carreira em Curitiba que agia assim como se fosse a coisa mais natural da vida. Era o Mamão, gordo e portador de diabete que acabou lhe sacrificando as pernas.

Um dos seus pontos de atuação foi o Plantão, ali na Barão do Rio Branco, quase em frente ao antigo Bar Palácio. Uma noite pegaram estudantes em algazarra e os prenderam sem levar em conta que eram oficiais da reserva do então CPOR.

Obviamente poderia haver problemas e o Mamão só tomou consciência da coisa quando viu a documentação de um deles com o informe adicional, de que se tratava de sobrinho do governador. Depois de cochichar lições de moralidade e em defesa do tio, o delegado os conduziu a um ponto em que havia janela baixa voltada para a rua e empurrou-os, um a um, de cara na calçada como se fosse um generoso que lhes concedesse a liberdade.

Numa tediosa madrugada recebe o telefonema de um guarda civil de que havia um militar trepando com uma parceira na maior folga e que, interpelado, declarou-se imprendível por ser oficial da aeronáutica. Esse era um tipo de desafio que Pedro Darci de Souza tirava de letra e foi até lá e, para sua satisfação, o cara, fardado, continuava na sua aventura de atleta sexual. Pediu esclarecimento e o seguro oficial entregou-lhe o cartão de identidade. Simulando que tinha dificuldade em ler por falta de luminosidade acendeu um fósforo, deu uma olhada no documento e tascou fogo no plástico, dando a ordem para seus auxiliares: “turma, o cara acaba de dar baixa e deem um pau nele!”.

Faz parte das lendas urbanas da Praça Osório onde numa noite o famoso brigador de rua Carlinhos Pereira, lutador de catch e casado com a filha do palhaço Chic Chic, de espingarda em punho, atirou nas árvores derrubando dezenas de pardais e levando-os até a Stuart para que o Ligeirinho as depenasse e cozinhasse. Imaginem hoje como o politicamente correto reagiria aos insólitos acontecimentos.

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