Marcelo

susana

Antes de qualquer providência, abri sua carta. Já fazia muito tempo que você não me escrevia, por isso não esperei nem que o avião começasse o voo. Três páginas, Marcelo, você precisou de três páginas e algumas desculpas mal arrumadas para me tirar da nossa vida.

“Você foi a mulher que mais amei na cama e a que mais desejei na vida”, as suas palavras me cobriram de derrota. Um fracasso por saber que não poderíamos ter nem uma parte nem outra dessa aventura maluca que começamos juntos. Eu sabia, a cada letra, que o que viria adiante seria uma série de mentiras, aquelas que você me contava nas noites de estrelas quando puxávamos o colchão para a varanda – nossos planos.

Eu sempre soube de tudo, Marcelo. Desde o início. Os seus sumiços de final de semana, os telefonemas em voz baixa, as faturas do cartão de crédito. Eu sempre soube. Nunca falei nada porque, de alguma forma, tinha uma parte em mim que torcia para que tudo se resolvesse e pudéssemos inaugurar nosso futuro.

É nesse voo definitivo, nesse avião que vai para uma vida que acabou preenchendo os vazios com mentira e sofrimento, que entendo que não há amor que se sustente na mentira e que não há desejo capaz de transformar a realidade.
Eu te desejo sorte, Marcelo. Que você tenha a coragem necessária para enfrentar suas próprias turbulências para tratar a vida com menos sedução e mais verdade.

Minhas portas estão fechadas para você e não precisei mais que meia página para isso.

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