Todos querem fechar com Osmar Dias

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Em outros tempos falava-se muito em casamentos de conveniência. Hoje, quando muito, fala-se na conveniência do casamento, o que não impede as pessoas de se casarem cada vez mais. Há os que se casam até oito e dez vezes. De fato, como tantas outras respeitáveis instituições produtivas, não há dúvida de que também o casamento, em nossa época, tende a funcionar em regime de alta rotatividade.

Diante de quadro tão ágil dos hábitos sociais contemporâneos, como classificar o comportamento dos nossos políticos e dos seus partidos? Dir-se-ia que os políticos fazem o que podem: oscilam entre os casamentos de conveniência e as alianças de circunstância. Os casamentos de conveniência costumam durar o que dura a conveniência. Sinceros aliados do PT migraram rapidamente quando Lula e Dilma caíram em desgraça. Agora são sinceros aliados de Michel Temer. Na verdade, o principal vetor da política nativa é o que podemos chamar de “governismo”, um cerne de convicção e até de vocação que predomina. A maioria absoluta de nossos políticos são pessoas que nascem governistas, assim como há as que nascem para tocar flauta ou, simplesmente, para pregar o Evangelho. Todos querem estar no governo, com o governo, e usufruindo, ao máximo, as benesses do governo.

Assim, ninguém se arrisca a cravar firme em alianças que parecem naturais, mas que podem se tornar inconvenientes e descartáveis se o político ou o partido aparecerem na lista da Lava Jato ou de outro escândalo de corrupção. Isso é veneno puro. No Paraná, como em outros estados, essa situação paralisa o movimento dos principais nomes aptos a disputar o governo do Estado ou outro cargo majoritário, de vice ou senador da República. Todos esperam o resultado das novas delações. Depois da delação premiada da Odebrecht, a ideia é de que poucos sobrarão para participar da história.

Aqui, o quadro já mudou radicalmente com a quase extinção do PT e a decadência de políticos que se alinharam a Lula e Dilma Rousseff. Quem votou contra o impeachment, como o senador Roberto Requião, tem tudo para amargar derrotas em toda a linha.

RESISTIR AO ASSÉDIO
Este drama de resistir ao assédio é maior para o ex-senador Osmar Dias, do PDT, que aparece em todas as pesquisas de opinião como favorito absoluto para vencer as eleições de 2018 para o governo do Estado. Essa condição coloca à sua porta, todos os dias, uma penca graúda de políticos e dirigentes partidários insistentes em fechar logo uma aliança. Ou seja, na política nativa, em que posições ideológicas e programas partidários para nada servem além de cumprir um preceito burocrático, porque não existem ou simplesmente são tratados com desdém, as alianças são feitas na base do toma lá, dá cá, de trocas nem sempre muito republicanas.

Osmar Dias retorna à política estadual com a imagem de um administrador experiente, testado em áreas distintas e sempre com excelentes resultados. Foi secretário da Agricultura, onde realizou uma gestão inovadora e que mudou a capacidade produtiva do Paraná no campo. Enquanto senador foi presidente da Comissão de Assuntos Econômicos. Foi vice-presidente do Banco do Brasil, onde cuidou do crédito agrícola, instrumento fundamental para definir a política agrária do país.

É considerado o homem público que mais conhece o agronegócio, a principal base da economia do país e do Paraná. Domina, em profundidade, a economia do estado, seus desafios e necessidades. Esta imagem, consolidada durante anos, é que lhe dá um alto índice de credibilidade entre os eleitores paranaenses. Cansado de governos com forte acento político, preocupado com o futuro da economia estadual, o paranaense enxerga em Osmar a melhor opção para governar o Paraná, asseguram as pesquisas de opinião. Tem a seu favor, ainda, o apoio de seu irmão, o senador Alvaro Dias, que não disputará o governo e deverá apoiá-lo.
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ABRAÇO DOS AFOGADOS
A condição extraordinária da candidatura de Osmar Dias, com tintas de vitoriosa, tende a aproximar todos os demais candidatos ao senado ou a vice no Paraná. Especialmente os que passam por situação de precariedade e querem tirar de uma possível aliança a força eleitoral que lhes falta. É o caso do senador Roberto Requião, do PMDB, cujo mandato está no fim. Requião sabe que não tem chances de concorrer ao governo, embora diga que vai disputar o cargo. O que ele quer mesmo é se reeleger senador e, de quebra, reeleger o filho, Maurício, deputado estadual. A empreitada é difícil. A decadência eleitoral de Requião é notória. Basta ver pelos resultados das eleições municipais. Não elegeu ninguém. Nem o filho, que se candidatou a prefeito de Curitiba e ficou em quarto lugar, com apenas cerca de 4% dos votos.

Requião tenta vender uma fórmula extraordinária pela qual teria enorme vantagem. Propõe que Alvaro Dias seja o candidato ao governo e que ele e Osmar Dias façam uma dobrada para o Senado. Tudo bem, como costumam dizer as almas parvas, mas essa fórmula só interessa a Requião e, com certeza, ao suplente de Alvaro no Senado, o empresário Joel Malucelli, que vem a ser sogro do sobrinho de Requião e assumiria quatro anos de mandato de senador. Alvaro Dias já descartou. Ele segue em sua decisão de concorrer à presidência da República pelo PV e continuar a fazer política na República.

O FATOR BETO RICHA
Para vender essa fórmula, Requião usa como argumento complementar de venda a ideia de que ela prejudicaria o governador Beto Richa, que ficaria sem chances de se eleger senador. Soa bem aos ouvidos dos desafetos de Richa, mas não é suficiente para demover ninguém de seu projeto pessoal. Ou seja, Requião está no mato sem cachorro, sem lenço e sem documento, a ponto de perder tudo, inclusive o comando do PMDB nativo.

O governador Beto Richa deseja, sim, fazer uma aliança com Osmar Dias e sair candidato a senador numa chapa liderada por ele. Mas tem alternativas. Sua vice, Cida Borghetti, é candidata natural ao governo e gostaria de formar uma chapa com Richa. Mas tudo ainda está muito indefinido. Os participantes do jogo observam a recuperação de Beto Richa e a construção da candidatura de Cida, mas todos sabem que é muito cedo para definir qualquer caminho.

E há o fator Ratinho Jr, que está em segundo lugar em todas as pesquisas, tanto para o governo do Estado, quanto para o Senado. Ele mesmo não sabe dizer ao certo qual será sua opção. Tudo dependerá muito da posição de cada qual nas pesquisas de opinião, podendo até se candidatar a senador numa chapa liderada por Osmar Dias ao governo.
Como se vê, o centro de todas as formulações é Osmar Dias, que certamente não tem nenhum interesse em definir imediatamente as suas alianças. Com exceção de uma, com o irmão Alvaro Dias, que vai apoiar em qualquer circunstância, especialmente agora que ele se candidata à presidência da República e passa a mobilizar todas as atenções no Paraná.

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