Dinheiro e dor

edmilson

O organismo humano é uma máquina perfeita! Esta afirmação não poderia ser diferente, visto ser quem é o autor desse projeto: o magnífico arquiteto deste universo e de seus personagens.

Todos os detalhes minunciosamente projetados para dar a estes bípedes, pensantes e falantes, toda a condição de adaptação à evolução dos tempos e suas dificuldades. Preparou nosso organismo para enfrentar situações de estresse, com detalhes inimagináveis. Senão, vejamos:

Diante de uma situação interpretada como sendo de perigo, nosso organismo entra em estado de alerta, preparando-nos para enfrentar ou fugir. Qualquer que seja nossa decisão, alterações internas ocorrerão visando a nos proteger. As pupilas vão se dilatar ampliando nosso campo de visão. A respiração ficará acelerada para maior oxigenação. O coração baterá mais rápido, elevando a pressão arterial e bombeando mais rápido o sangue. As extremidades ficarão pálidas e frias, pois o sangue se direcionará para órgãos nobres. Nossa musculatura ficará mais tensa para melhor resposta ao esforço físico. Haverá um aumento na produção de glicose fornecendo mais energia aos músculos. Além de outras alterações que não vêm ao caso para não tornar o texto enfadonho.

Tudo isso foi programado para enfrentamento dos perigos reais vivenciados por nossos ancestrais.

Mas será que algo não foi previsto? Sim. Não previa, esse maravilhoso arquiteto, que um dia, tendo dominado tecnologias espantosas em todas as áreas, pudesse, o homem, ficar refém de suas próprias preocupações.

E o que é preocupação? É estar-se “pré-ocupado”, com situações que podem ou não vir a acontecer. É tentar antecipar os acontecimentos, normalmente com um viés negativo, pessimista na conclusão. Com isso, manter-se tenso, com uma luz vermelha acesa à frente, como se estivesse diante de um tigre dente-de-sabre, dos primórdios. Não importa se esse tigre modernamente é representado pelo leão do imposto de renda. Seu organismo vai desenvolver as mesmas reações de lutar ou fugir, pois o estresse é interpretativo, e disso advirão todas as consequências.

E quais são suas preocupações? Normalmente duas. Saúde e dinheiro. Até a saúde já estamos relevando, mas com “la plata” nem pensar. E aí sofremos.

Trabalhos científicos recentes demonstraram que o estresse financeiro pode causar dor física, conforme publicação no Psychological Science, um periódico americano. A revista Mente e cérebro, de publicação nacional, também abordou a temática. Demonstrou-se através da pesquisadora Eillen Chou, da Universidade de Virginia, que as pessoas com maiores níveis de desemprego eram mais propensas a comprar analgésicos. Mais ainda, o simples fato de pensar sobre insegurança financeira bastava para aumentar a sensação dolorosa.

“A hipótese de que o estresse financeiro causa dor tem lógica, embora seja útil ver outras evidências rigorosas”, diz a economista Heather Schofield, da Universidade da Pensilvânia.

A boa notícia é que um estudo americano de 2014 mostrou que o apoio social pode ajudar a proteger tanto contra a dor psicológica quanto a dor física associada ao estresse. O afeto funciona como um fator de proteção.
Massagens, toques sutis, terapias de relaxamento corporal, entre outras, colaboram em muito para melhorar a sensação de bem-estar.

Cada dia mais, vemos a necessidade do controle de nosso estresse em todos os sentidos. Mas o que chamou mais a atenção nesses estudos é o estresse que acarretamos para nós mesmos através de nossas preocupações e as consequências advindas disto. Prevenção continua sendo o melhor remédio e, neste caso, não se pré-ocupar com algo que, muito provavelmente, não venha acontecer, será de grande valia para sua saúde, principalmente se for ligada a questões financeiras.

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