Luz enlouquecida dos pinhais

mazza

Do pinheiro é que não

nos desgarramos  e tanto

que o prefeito anunciou

nosso Vale do Pinhão,

silício bem curitiboca.

Iconoclastas já o condenaram

como arte paralisada,

repetitiva, acrítica,

acadêmica demais.

Mas há pinheiros

também de Alfredo Andersen,

do miniaturista Virmond,

de Viaro e de Miguel Bakun

que neles adivinhava

o místico e o fantástico.

Pena que Bakun que navegou

com Panceti, nosso maior

pintor de marinhas,

não o houvesse levado

a  tratar dos pinheirais

e aí poderia haver

a fusão cromática

de pinhal e mar,

biomas distanciados.

De Lange de Morretes

romanticamente sepultado

olhos voltados pro Marumbi,

que tudo reduziu à geometria

-sua marca digital –

com pinhas, pinheiros e pinhões

eternizados em nossas calçadas

à Leila Pugnaloni,

a  doce Leila do Jaime,

na perspectiva do ideograma,

como filtro de luz e formas,

o traço adequado  a uma tela

com a finura de cerâmica japonesa.

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