Não acaba nunca

maron

Muito imprudentemente, o sociólogo Francis Fukuyama anunciava, no já longínquo 1992, o “Fim da História”. Com a derrocada comunista, o mundo encontrara na economia de mercado seu modelo definitivo de sociedade. Ingenuidade ou mero polemismo, melhor que tivesse anunciado o fim de uma etapa histórica, mas jamais o fim da História que, afinal, tem a infinitude na essência.

Eis que, quando a globalização parecia uma realidade irrefreável, vive-se agora um movimento contrário que se rebela contra diferenças entre a outrora desejada transnacionalidade e o saudosismo a valores nacionais e/ou regionais. É como se os povos e as nações estivessem se ensimesmando, retomando convicções locais que se viram atropeladas pelos tempos sem fronteiras.

A Europa e os EUA rivalizam no papel de qual exemplo deste fenômeno se mostra mais dramático. Movimentos políticos radicais vitaminados pelas desigualdades entre as economias e os povos dão a receita para o racha da União Europeia. Os europeus perderam o desafio de diminuir os abismos entre os seus.

E se assim não está bom, vêm ondas sediciosas pela volta de muros e fronteiras. Os sempre convictos Estados Unidos se contraem em seu umbigo via “trumpolinagem” que atônitos assistimos. E aí vêm as inevitáveis imigrações que acabam por aflorar ainda mais as inquitudes nacionalistas. Seus intérpretes pelo mundo? Trump, Le Pen, Cinque Stelli à direita e Podemos e Syriza à esquerda são exemplos de marchas políticas frutificadas pelo descontentamento da vida transnacional. É que não estavam previstas a globalização de pessoas e as indesejáveis imigrações, e sim apenas o conveniente fluxo de divisas e mercadorias, como sonharam os teóricos do capitalismo sem fronteiras.

No Brasil tal ainda não se firmou. Mesmo já tendo no estrambótico Bolsonaro um ensaio disso, esta onda para ganhar o Brasil precisará de lideranças muito mais consistentes para conquistar espaço majoritário no cenário político.

O que preocupa é que estes ventos de recrudescimento nacionalista mundo afora coincidem com o Brasil passando por dolorosa depuração moral de sua elite dirigente. Daí o perigo de que este caldo entorne numa desastrosa experiência caudilhesca própria de nossa latinidade, no aparecimento do “brasileiro diferente a nos guiar”…raciocínio reiteradamente acudido pela História, que assim leciona.

Ah, essa infinita História… sempre grande conselheira a nos precaver dos desastres do destino!

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