O dia em que o futebol se rebelou

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A arbitrariedade cometida pela Federação Paranaense de Futebol (FPF), ao impedir o Atletiba, maior clássico do futebol paranaense, para defender interesses comerciais da Globo/RPC, é uma das mais vergonhosas provas de subserviência que uma entidade presta a uma empresa de comunicação que se utiliza de expediente sórdido para garantir o monopólio da transmissão. Atitude abjeta. Esse conluio é uma excrecência malcheirosa que causa engulhos em qualquer vivente que tenha consciência de seus direitos e de sua liberdade de informação. Atlético e Coritiba não são obrigados a vender a preço de banana o seu espetáculo, que custa muito caro para que os donos da RPC tenham seu lucro. Senti uma ponta de orgulho e de esperança ao ver Atlético e Coritiba, suas diretorias, seus jogadores, suas torcidas, todos unidos contra o esbulho. Espero que seja um basta definitivo às pretensões dos crápulas. Eles tentaram na marra e não conseguiram. O assunto não para aí, vai aos tribunais.

Vamos aos fatos. O presidente da FPF, Hélio Cury, irritou-se profundamente com a atitude do Atlético Paranaense e do Coritiba que não aceitaram vender seus direitos de transmissão a uma emissora e prepararam uma transmissão inédita do jogo, via YouTube e Facebook. De graça. Sem cobrar um tostão. Um serviço que beneficiaria a quase totalidade dos torcedores de futebol. Quando a bola ia rolar, o árbitro Paulo Roberto Alves Jr afirmou que só começaria o jogo se a equipe de TV contratada por Atlético e Coritiba se retirasse do campo. Os dois clubes se recusaram a cumprir tão esdrúxula ordem e não retiraram a equipe de reportagem. Depois de 15 minutos, os dois times foram para o vestiário. Segundo dirigentes dos dois clubes, o árbitro recebia ordens diretas do presidente da Federação Paranaense de Futebol, Hélio Cury, para impedir a transmissão via internet. Ora, pois, Cury intermediou a negociação entre os clubes e a emissora Globo/RPC e não teve sucesso. Nem Atlético, nem Coritiba aceitaram o que lhes ofereciam.

Hélio Cury tem passado e não é honroso. Iniciou sua carreira de cartola de futebol como lugar-tenente do famigerado Onaireves Rolim de Moura, que acabou perdendo seus direitos políticos e de dirigente de futebol na Justiça. Cury foi discípulo de Onaireves até que se rebelasse contra o criador. Acabou por substitui-lo, com todos os seus vícios e patranhas. Põe mais esta em sua coleção, quer determinar se os clubes podem ou não transmitir seus próprios jogos pela internet.

O advogado da FPF, Emerson Fukushima, negou essa informação e afirmou que o único problema foi a falta de credenciamento dos repórteres da equipe de TV contratada pelos dois clubes. Uma justificativa tão pífia que chega a ser patética. Os clubes se recusaram a retirar os repórteres de campo e o jogo não foi iniciado pela arbitragem. Depois de 40 minutos, os dois times subiram juntos do vestiário para o campo. Os jogadores formaram um círculo no centro do gramado e aplaudiram as torcidas. O gesto recebeu aplausos dos torcedores. Após 45 minutos, sem os times em campo, o árbitro cancelou o jogo.

“Estamos fazendo transmissão gratuita. E a Federação, de forma absurda, quer impedir. Os dois clubes não venderam seus direitos e resolveram fazer transmissão gratuita. Estamos aqui com uma equipe de TV de uma produtora independente. Estão dizendo que não vai ter o jogo. Então não vai ter o jogo”, disse Mauro Holzman, diretor de marketing do Atlético.

José Fernando de Macedo, vice-presidente do Coritiba, lamentou a decisão da FPF. “Tenho pena do futebol do Paraná. Quem está perdendo é o futebol do Paraná. O estádio cheio e o jogo não pode começar por causa de picuinhas. No Paraná, não tem contrato de transmissão. O juiz (árbitro do jogo) falou que recebe ordens do presidente da FPF”, disse o dirigente do Coxa. “A Federação mandou uma ordem para a arbitragem de que não pode ser feita a transmissão de dentro do campo porque existe o contrato com a Rede Globo e a Federação não permite que aconteça enquanto não for tirada do campo”, afirmou Macedo.

“É uma atitude arbitrária do presidente da FPF”, disse o presidente do Atlético, Luiz Salim Emed. “Ele não tem sensibilidade sobre o que está acontecendo aqui”, afirmou.

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