Daniel Katz e o imaginário retratado

dico

 

retrato de lado

retrato de frente

de mim me faça

ficar diferente

Paulo Leminski

 

O fotógrafo Daniel Katz tem uma longa e variada trajetória no mundo da fotografia. A arte do retrato é o que mais o revela. Nesta é a cumplicidade que se estabelece entre o artista e o fotografado. Não são todos os fotógrafos que têm o privilégio de uma cumplicidade que, algumas vezes, não utiliza as palavras. Mas Daniel conversa e escuta atentamente as histórias e estórias que lhe são contadas. E, então, torna-se um confidente e um cúmplice. Um cofre forte de segredos e indiscrições que não se abre para ninguém, quase como a inviolabilidade da confissão no credo católico.

Retrata as pessoas como ele as vê e sente e, também, como o retratado gostaria de ser visto. O real e o ideal ou o ideal e o real dependendo da visão de cada olhar. E é da conversa e da atenção ao comportamento do outro que o fotógrafo obtém a informação que lhe possibilite captar “(…) um instante de fixidez onde se observa um movimento inacabado.” no dizer de Stefan Zweig em “Balzac”.

Porém, ao lado do retrato que poderíamos chamar de tradicional, da pessoa, Daniel cria retratos de personagens. De seus trabalhos, enviou para este Ensaio Fotográfico o que tem Dannah como personagem. Temos, então, uma série de retratos não de uma pessoa, mas de outro eu, de um ser fictício, talvez de um “alter ego” do fotografado. Note-se a sequência das fotografias: a primeira foto está invertida e sem cenário e o personagem em fundo branco, neutro. Fundo que muda nas fotos seguintes. Na segunda foto, está em um cenário minimalista e na terceira, além de o cenário ser parecido com o anterior, há uma inversão cromática, o claro e o escuro. Na foto seguinte, temos um cenário fechado, uma espécie de caverna e a pose estática com insinuação erótica. Na quarta foto, vemos um cenário que mostra um princípio de fuga para outro ambiente. Este um fundo amarelo/laranja dividido por uma faixa branca que separa a cabeça do buquê de flores. É a volta ao cenário neutro. A penúltima imagem  sugere o personagem a fotografar o seu verdadeiro eu com uma câmera Polaroid. Enfim, na última foto vemos, ao lado de uma escada, o “eu verdadeiro” com seu rosto escondido. É a pessoa/personagem que em parte se revela.

Aqui faço uma observação: é uma maneira pessoal de olhar e ler as imagens.

Daniel Katz começou a se interessar pela fotografia quando assistia à projeção de slides na casa dos seus pais. Ficava intrigado em ver como as pessoas e coisas iam parar na parede. Para satisfazer a sua curiosidade, fez um curso no Foto Clube com o mestre fotógrafo Helmuth Wagner. E, depois de dominar as artes da revelação dos negativos e a de ampliar as fotos, montou um pequeno estúdio na casa de seus pais. Lá começou a perseguir o tipo de trabalho de que mais gostava, os retratos. Preparava cenários, pintava fundos, compunha nomes de marcas, experimentava luzes. Mas queria mais. E em 1987 partiu para Paris para ficar dois anos e estudar fotografia. Ficou 10 anos. Estudou na ENSAD – École Nationale Supérieur des Arts Décoratifs. Fez seu estágio obrigatório na Rapho, agência de fotografia do prestigiado fotógrafo Robert Doisneau, onde classificou os trabalhos do mestre. Lá teve contato com o que hoje se denomina fotografia humanista.

Trabalhou para a revista “Science et Avenir” do mesmo grupo das revistas “Le Nouvel Observateur” e “Challenges”, revista econômica. Graças a Martine Dupuis, diretora de fotografia da “Science et Avenir” e casada com Jean Baudrillard, sociólogo, filósofo e fotógrafo entre outras atividades, Daniel foi contratado como diretor de arte da revista “Avec” do Grupo Renault.

Voltou para Curitiba em 1997. Trabalha com vários tipos de fotografia: publicidade, moda, fotos para editoriais, arquitetura, fotos de casamentos e, principalmente, retratos. Tem fotos adquiridas por museus e em casas de admiradores de seu trabalho. Após longa e agradável conversa, Daniel me disse: “A fotografia é tudo em minha vida.” Fotografias criativas que devem ser vistas por todos aqueles que amam a arte fotográfica.

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