Dolce far niente

edmilson

Essa é a famosa tese proposta pelo cientista italiano Domenico de Masi, que, inclusive, esteve recentemente no Brasil, mais especificamente aqui em Curitiba, no 1º Congresso Internacional sobre Felicidade, onde reforçou a necessidade do “ócio criativo”.

Relatou que muitas vezes foi mal interpretado, pois, na verdade, defende apenas uma melhor distribuição entre atividade profissional, estudo e lazer. Nada tem a ver com diminuição de horas trabalhadas, e sim integração entre produção e prazer.

Chaplin já havia levantado esta bandeira com a sua máxima: “Homem, não sois máquina. Homem é que sois.”

Por questões de necessidade financeira, muitas vezes nos dedicamos inteiramente ao trabalho, nos esquecendo da necessidade do descanso. Outra questão é o estudo. Em função de concursos, muitos se debruçam sobre os livros, abrindo mão da vida como um todo, não percebendo a improdutividade de tal atitude.

De qualquer sorte, trabalho ou estudo em demasia mata o que temos de mais belo: a criatividade. Momentos de insight maravilhosos são obtidos quando nos desligamos da atividade produtiva. Lembram-se daquele ditado que diz: “Quem trabalha muito não tem tempo pra ganhar dinheiro”? Parece um paradoxo, não? Mas, se olharmos sob a ótica da ciência cognitiva, veremos que os momentos de intuição estão diretamente relacionados ao vazio mental. Se nosso espírito está positivo e relaxado, acessamos com mais facilidade nosso juízo intuitivo ante à ponderação analítica.

Quantas vezes já nos pegamos deitados em uma rede, ou sentados em uma cadeira de praia, olhando para o mar, ou ainda diante de um jardim florido e, de repente, surge uma resposta a uma questão que vinha nos incomodando, e dizemos: “Claro, como não pensei nisso antes”? Simplesmente porque não tinha espaço no seu computador chamado cérebro, lotado com os excessos de trabalho e/ou estudo ou ainda com as preocupações. Nessas condições, não acontece aquela percepção súbita que precede as maravilhosas soluções, descobertas e avanços da ciência.

Sabe quando surge a luz no fim do túnel? Quando cai a ficha e dizemos: – “Estava na cara e eu não vi”. E não vemos mesmo. Estamos tão mergulhados no problema que perdemos a noção espacial do todo.

Quando você quer admirar um belo quadro pendurado na parede, o que faz? Cola seu rosto no quadro para vê-lo de pertinho ou se afasta a uma devida distância que lhe permite, confortavelmente, ter uma visão do todo da obra?

Assim são nossos problemas. Para os vemos melhor, temos que nos afastar o suficiente para ter uma visão completa. Estando mergulhados dentro deles, sua solução dificilmente virá na forma de insight, intuição com criatividade.

Na esteira dessas observações, pesquisadores australianos da Universidade de Melbourne, após analisarem o desempenho de 150 voluntários, em atividades profissionais, concluíram que o melhor desempenho foi entre os que puderam fazer pequenas pausas e observar a natureza, fosse através da janela ou mesmo na proteção da tela do computador em comparação aos que mesmo fazendo pequenas pausas não observam a natureza. Concluíram que pequenas pausas são importantes, porém, quando há uma contemplação da natureza, mesmo sendo como fotografia, o benefício é ainda maior. O objetivo dessas pausas contemplativas visa à recuperação da atenção perdida durante períodos extensos de trabalho. Existe uma necessidade para o desempenho de uma tarefa de que haja uma “sustentação da atenção durante esta tarefa”.

Há uma correlação direta entre viver em contato com a natureza e a capacidade de lidar com situações de grande pressão. “A natureza não anula o estresse, mas contribui para não perpetrá-lo “, afirma o professor José Antonio Corraliza, da Universidade Autônoma de Madrid.

Pois bem, não parece ser difícil para ninguém fazer pequenas pausas durante seu trabalho ou estudo e dar uma olhadinha pela janela observando um pequeno jardim. Ah! Você vive em uma selva de pedra? Os estudos provaram: protetor de tela do computador com uma bela imagem da natureza também lhe dá esse benefício. Sem desculpas, mãos à obra.

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