Felicidade

armando

Certo dia em uma roda de amigos alguém fez uma velha pergunta: “o que é, de fato, felicidade?” Velhas respostas vieram em forma torrencial. E foram respostas tão desinteressantes e repetitivas que fluíram na mesma intensidade. A explicação do fenômeno é simples, pois essa é uma questão que machuca o ser humano por se confundir com a própria maneira e razão de viver em uma sociedade abarrotada de iniquidades e absolutamente indiferente aos sofrimentos da alma.

O elevado grau de subjetividade da questão apresenta uma complexidade fora da curva desde que o iluminismo europeu prometeu o bem-estar do ser humano baseado na liberdade dos grilhões dos dogmas da igreja e no progresso do homem. Mas não foi o que se viu, pois o mundo mergulhou em guerras, violência e miséria e se pôs a produzir várias gerações de deprimidos e infelizes.

Vamos resumir o problema. Segundo Eduardo Gianetti da Fonseca no seu livro Felicidade, quando nossos anseios mais profundos são atendidos, tendemos a nos desapontar. O que nos mantém e sustenta nossos projetos de longo prazo são ilusões que acalentamos em relação aos resultados a serem obtidos. Se nós não tivéssemos projetos que vão muito além de nossas forças, não mobilizaríamos energia para fazer o que está ao nosso alcance. Hummm… Resmungo.

Pelo lado religioso, o calvinista John Piper conceituou que a condição para herdar todas as promessas de Deus é que toda a esperança de felicidade que você tem, para você, sua família, seu trabalho e seu lazer, seja transferida para Ele. Será?

Não consigo essa condição porque mesmo que transferisse todas as minhas alegrias, angústias e sofrimentos para o Criador, não conseguiria ser feliz com tanta miséria, doença e injustiça ceifando vidas em meu redor. Mas mesmo assim estou tentado a experimentar ser feliz só pela fé. Quem sabe?

Saindo então das reflexões filosóficas e religiosas, não sobra alternativa que não seja a da questão na seara pessoal: sou feliz? Pois é, sei lá. Talvez seja, talvez não. Como vou saber a resposta se não paro de questionar sobre as coisas ruins que me acometem e às coisas boas dou pouca bola porque ficaram no passado? É uma eterna luta de vaivém. Dane-se!

Então que todo doutrinador vá para o inferno, pois o conceito de felicidade é um devaneio muito pessoal e cada um constrói o seu da maneira que quiser e apenas me conformar com a constatação de Hemingway quando disse: “A felicidade em pessoas inteligentes é a coisa mais rara que eu conheço”. Quanta pretensão a minha!

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