Jean

susana

Combinamos nossa vida como quem faz um contrato: cláusulas, acordos, adendos. Um pacto que previa comportamentos, mas não falava das circunstâncias. Eu sabia que seria difícil. A sua sede de liberdade não combinava com a minha, a sua vontade de fazer todos os voos era diferente dos pés bem plantados e seguros que eu queria, o seu desprendimento de todas as amarras era o contrário do anel fixo que eu queria em meu dedo. Mesmo assim aceitei a aventura. Um pouco por medo de perdê-lo para sempre e um pouco pela sedução da proposta.

Firmamos nosso relacionamento nesse pântano onde você não é meu e eu sou sua. Ah!, quantas vezes me escondi amargurada no quarto e chorei todo o sal da solidão…

O nosso tratado era claro, cada um poderia tudo com quem quisesse. Mas eu só queria com você. Os anos passaram e deixei de receber suas visitas, meu corpo ficou invisível, você gastou seus beijos com outras. A mim, nem migalhas de amor. Me transformei num porto, um porto seguro de onde você sempre saía para navegar suas histórias e para onde voltava, velas estilhaçadas, para recuperação e nova partida.

O ciúme chegou e ele vem colado ao fracasso. Fracassei. Preciso de minha vida de volta. Ou você é meu, finge ser meu, ou terminamos.

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