Paulo Sá Pinto em Curitiba

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Paulo Sá Pinto (1912-1991), mineiro radicado em São Paulo, comandava a Cinematográfica Sul Ltda, com grandes cinemas na capital paulista e a distribuidora Art Filmes, com filmes na maioria europeus, além de outros empreendimentos. De baixa estatura, era homem refinado, culto, elegante, falando várias línguas, mas principalmente muito dinâmico. Foi um dos líderes da cinematografia nos tempos em que o cinema era um ótimo negócio. Perfeccionista, gostava de ver a coisa funcionando. Ele anunciava, quando da inauguração do Cinemascope no cine República, que este tinha a maior tela do mundo, com 250 metros quadrados. Uma ocasião estava em Paris, quando se deparou com um anúncio: a maior tela do mundo! Foi a uma loja de ferragens, comprou uma trena e foi ao cinema anunciado. Insistiu, teve que discutir, até que o deixaram entrar e fazer a medição: tinha 19,5m de largura. Brigando, exigiu a retirada do anúncio, ou que colocassem que a maior tela do mundo era do cine República em São Paulo com 21m. Quem o conheceu diz que era capaz disso mesmo, garantem que não é piada. Pouco antes introduzira o 3D no mesmo cine República.

Construção onde funcionou o cine Rivoli.

Construção onde funcionou o cine Rivoli.

Em 1959, inaugurou o Cine Comodoro, na avenida São João em São Paulo, o único Cinerama do Brasil, complicado e caro processo com três projetores simultâneos, e que foi convertido para 70 mm, bem mais tarde, pela falta de filmes neste processo.

Frequentador de festivais pelo mundo, trazia grandes sucessos para o Brasil, como a série Sissi e a Família Trapp, além de grandes filmes italianos e franceses. Entre estes últimos, Rififi (Du rififi chez les hommes), policial noir com Jean Servais, Robert Hossein, direção de Jules Dassin, que lhe deu o prêmio de melhor direção em Cannes, com roteiro seu e de René Wheeler, de 1955. Ficou notabilizado pela sequência do roubo à joalheria, de quase meia hora de duração, sem diálogos ou música, criando grande suspense e nos tornando cúmplices do bando. Foi proibido em alguns países por esta cena, considerada um processo “educativo”, perigoso para o crime. Ascensor para o cadafalso (Ascenseur pour l’e chafaud) suspense dirigido por Luis Malle de 1957 com Maurice Ronet, Lino Ventura, e decisivo para a carreira de Jeanne Moreau em grande desempenho. Outro destaque da película é a trilha sonora do mito do jazz, o trompetista Miles Davis. O último filme que adquiriu para lançar no Brasil pela Art filmes foi Sexo, mentiras e vídeo-tape (Sex, lies and videotape) com Andie MacDowel, James Spader, direção de Steven Soderbergh, 1989, premiado em Cannes como melhor filme (Palma de Ouro) e ator.

Logomarca da Art filmes

Logomarca da Art filmes

Chegou ao mercado curitibano no final dos anos 40, arrendando o cine Avenida, que se encontrava sob a direção de dois filhos de Ferez Mehry, o construtor do Palácio Avenida. Apesar de excelente negócio, os irmãos Aristides e José não eram do ramo da exibição cinematográfica, aceitando a proposta do Paulo Sá Pinto para explorar o Avenida. Em 6 de novembro de 1948 reabria o antigo Cine Imperial na quadra da Rua XV entre a Marechal Floriano e a Dr. Muricy, com o nome de Ritz. Para o evento, escolheu O fim do Rio (The end of the River) de Derek Twist, produção inglesa de 1947, com sequências rodadas no Brasil, estrelado pelo ator indiano Sabú, que faz um índio sul americano, e Bibi Ferreira, que veio a Curitiba para a cerimônia de inauguração. Continuou ampliando seu circuito por aqui, assumindo o Cine América na rua Voluntários da Pátria, do pioneiro João Batista Groff; também o antigo Theatro Hauer na rua Mateus Leme reformado como Cine Marabá. Vinha à cidade 3 a 4 vezes por ano inspecionar, ver a qualidade da projeção, som, administração; se encontrasse alguma coisa com problemas, substituía. Com este esforço, desejo de manter tudo em ordem, as rendas de seus cinemas sempre aumentavam. Com seu prestígio, diminuiu o tempo das estreias em Curitiba, exigindo das distribuidoras mais cópias dos filmes.

Fachada do cine Glória, que sob outra administração, a entrada foi transferida para a praça Tiradentes, por uma galeria de lojas e dividido em duas salas, entrando em decadência.

Fachada do cine Glória, que sob outra administração, a entrada foi transferida para a praça Tiradentes, por uma galeria de lojas e dividido em duas salas, entrando em decadência.

Em 11 de março de 1961 inaugurou o Cine Rivoli, no início da rua Emiliano Perneta, com o filme Meu último tango (Mi ultimo tango), produção espanhola de 1960 estrelada por Sarita Montiel, em grande evidência à época e Maurice Ronet, direção de Luis Cesar Amadori.

Em 20 de junho de 1963 abria o Cine Glória, ótima e ampla sala, com uma comédia de sucesso Volta meu amor (Lover come back), com Doris Day e Rock Hudson, direção de Delbert Mann produção Universal de 1960. Foi construído no terreno aos fundos do sobrado ao lado da Catedral, pertencente à advogada e primeira deputada do Paraná Rosi Pinheiro Lima, residência da família. Com a entrada do cinema pela rua Professor Moreira Garcez, tinha uma programação de alto nível, exibindo filmes como Satyricon de Federico Fellini, produção 1969, baseada nos fragmentos do livro de Petrônio e que causou alto impacto.

 

Explorou por algum tempo também, o Cine Plaza na praça Ozório, com planos de expandir seu circuito, com o Cine Guaíra, ao lado do teatro, o que não foi concretizado.

Tinha cinemas também em Porto Alegre.

Fachada do cine Glória, que sob outra administração, a entrada foi transferida para a praça Tiradentes, por uma galeria de lojas e dividido em duas salas, entrando em decadência.

Fachada do cine Glória

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