Prateleira. Ed. 185

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Poema maior

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Tudo o que há. Tudo o que há em Mia Couto, escritor moçambicano nascido em Beira, bem à beira do mar. Tudo o que há, pois é o que é: a poesia do poeta das prosas. Aqui, nas suas escolhas a dedo, encontramos o “tudo” de Mia, que pode ser o “nada”. Pode ser o que há de maior e o que não pode não. Tudo depende do olhar do leitor. Este não precisa estar aguçado, apenas um pouco sensível e suscetível. E aqui, nos escolhidos do poeta, poderá navegar. Não só à beira, mas a fundo, bem fundo poderá ir. Tudo depende do sentir do leitor. Este poderá ter o que quiser em mãos. Basta encontrar e se entregar aos Poemas escolhidos de Mia Couto. A beleza já está feita, é só observar e absorver.
Com apresentação de José Castello, Poemas escolhidos foi editado pela Companhia das Letras, em 2016.

Jessica Stori

O leite derramado de Chico

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Eulálio d’Assumpção é um senhor enfermo, já no leito da cama de um hospital. E deste local ele começa a recordar sua vida, seus passos e suas paradas. Reescreve na mente, esquece e volta, conta meio abarrocado suas desilusões, sua vida antes enriquecida, seus descendentes portugueses, importantes personalidades da corte, amores e paixões. Chora, não mama mais e lembra.
Numa prosa corrida e bonita, Chico Buarque escreveu o livro Leite derramado, publicado em 2009. Em janeiro deste ano, Chico ganhou o prêmio de literatura Roger Caillois na França pelo conjunto de sua obra.

Cervantes

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Escritas entre 1590 e 1612, as Novelas Exemplares de Honestíssimo Entretenimento de Miguel de Cervantes é uma séria de curtas novelas publicadas em 1613. Com a boa recepção de Dom Quixote, as doze histórias foram logo editadas em Madri por Juan de la Cuesta, editor inicial do autor. Além de romancista, Miguel de Cervantes foi dramaturgo e poeta. Inaugurou o romance moderno com Dom Quixote, este considerado um dos melhores romances já escritos. Recentemente, a livraria e editora Arte e Letra publicou Quatro Novelas Exemplares, onde constam textos da primeira edição.

Poesia e literatura moderna

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A Editora Unesp lançou neste ano os livros Fragmentos sobre a poesia e literatura e Conversa sobre poesia de Friedrich Schlegel em uma única edição. Com tradução de Constantino Luz de Medeiros e Márcio Suzuki, os textos de um dos fundadores da crítica literária moderna e também da primeira fase do romantismo alemão, Schlegel, trás uma obra composta por mais de 4700 fragmentos do autor. Estes textos produzidos no início do século XVII permaneceram inéditos até 1950, quando Hans Eichner os publicou.

Ismos

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Nunca nada basta para a arte. Há sempre mais o que dizer e o que falar. Por isso cabe tanto e há muitos escritos sobre. Alguns, como Ismos: para entender a arte de Stephen Little, tentam introduzir a arte às pessoas de maneira simples e inteligente. Aprofundando-se na arte feita no Ocidente, Ismos carrega textos das obras do Renascimento até os estilos mais recentes como o Minimalismo e o Futurismo. Traz também ilustrações dos principais momentos da História da Arte com os nomes mais importantes dos movimentos e técnicas.

O Muro

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Le Mur (1938), de Jean-Paul Sartre, é uma coletânea de contos escrita às vésperas da Segunda Guerra Mundial. E é nesse contexto, de um mundo em constante colapso que o autor desenvolve seus textos. Refletindo a relação do homem com o fim absoluto, com os valores burgueses de então, o jovem Sartre traz em sua literatura a consciência política e filosófica do homem. Junto do livro A Náusea, Sartre publica O Muro, já com intenção de desenvolver os temas da filosofia existencialista em suas obras literárias.

O pensamento africano no século XX

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Com alguns temas como o anti-colonialismo, a descolonização e o pós-colonialismo da África, o livro O pensamento africano no século XX reúne textos de dezesseis especialistas brasileiros sobre a intelectualidade africana atual. Com organização de José Rivair Macedo, o livro traz uma introdução bastante pertinente aos debates dos povos africanos da contemporaneidade e seus escritores, historiadores e cientistas sociais. Entre os nomes citados e aprofundados no livro estão Léopold Sédar Senghor, Joseph Ki-Zerbo, Frantz Fanon, Achille Mbembe e Paulin Hountondji.

Herdeiro

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No último mês de janeiro, o escritor argentino Ricardo Piglia faleceu de uma parada cardíaca, deixando um legado sólido e único para a literatura. Considerado herdeiro dos grandes da sua terra, como Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, Piglia era também um gigante na escrita. Além dos romances desenvolveu ensaios, críticas e roteiros. Respiración Artificial (1980), seu primeiro romance publicado, recebeu o Prêmio Boris Vian em 1982, Plata Quemada (1997) foi premiado pela Editora Planeta, em 1997, Formas Breves (2000) foi o ganhador do Prêmio Bartolomé Marcha, em 2001. Entre tantas consagrações, também teve toda a sua obra homenageada pelo Prêmio Iberoamericano de Letras José Donoso, em 2005. Ricardo Piglia deixa uma extensa obra de ficção e também de ensaios críticos. Teve uma vida marcada pela produção e participação em várias revistas, entre elas, colaborou na Revista Crisis, dirigida por Eduardo Galeano.

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