As sombras de Guilherme Pupo

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De uma janela do apartamento onde morava, na casa de seus pais, Guilherme Pupo via umas moças de um pensionado vizinho tomar banho de sol num amplo pátio. Não era apenas a juventude e beleza das moças de maiô e biquíni que lhe chamava a atenção. Ele via mais. Via os corpos claros e as sombras, a disposição, sem ser arranjada, das cadeiras de repouso, os volumes das plantas do jardim, a posição do sol que, com seu movimento durante o dia, mudava o contraste da cena. Ele tinha 15 anos e as fotos vistas de cima e as longas sombras e o contraste já estavam marcados em sua mente. Sua câmera era uma Pentax ME com 3 objetivas e filme preto e branco.

Guilherme atribui seu gosto pelas imagens por influência de seu pai. Este tinha como hobbies a fotografia e o filme super 8. Reunia a família nos fins de semana, exibia os slides e projetava os filmes. A primeira câmera do futuro fotógrafo foi a popular Xereta da Kodak, que usava filme 110.

Depois dos primeiros estudos no Colégio Medianeira formou-se em jornalismo na UFPR. Lembra com saudades das aulas do professor Hélio Puglielli. Como tema de seu TCC escolheu o fotojornalismo com depoimentos dos fotógrafos Joel Rocha e Roberto Quintela.

Começou sua carreira como repórter do Jornal da Indústria e do Comércio sob as ordens do professor Aroldo Murá. Depois trabalhou no Jornal do Estado, na Folha de Londrina, na Assessoria de Imprensa da PMC. Apesar de alguns freelances como fotógrafo para a Folha de S. Paulo e outros veículos e clientes, viver do trabalho fotográfico estava ainda um pouco distante. A virada chegou quando de seus 30 anos de idade. Hoje Guilherme vive da fotografia: fotojornalismo, fotos empresariais e trabalho autoral. Em 2015 participou com um trabalho de uma exposição com o título de “Memórias do Quintal”. Registrou brincadeiras infantis que hoje se perderam, principalmente nos grandes centros urbanos. Fotografou as cenas em bairros longínquos da cidade. Nestes ainda se pode ver crianças a brincar com bolas de gude, raia, bete-ombro, amarelinha, pular corda, skate, futebol de rua e em campinhos e outros, hoje esquecidos nos centros urbanos. Foram substituídos pelos celulares, ipads e computadores. As brincadeiras ao ar livre, coletivas, com a participação de amigos, hoje se transformaram em passatempos solitários com ajuda da tecnologia.

Conheci o trabalho do Guilherme quando vi um calendário pôster 2017 com o título de “Curitiba Aérea” na loja do Museu Oscar Niemeyer, comandada pela sua mulher Marta. São fotografias tiradas a bordo de um helicóptero onde o artista aproveita as sombras bem marcadas pela luz solar, luz de fim ou começo do dia, junto com o movimento das pessoas em meio a praças, ruas, calçadas, parques. São fotos em preto e branco, com um corte (crop) preciso e com o deslocamento do eixo da imagem, girando-o e, com isso, conseguindo um efeito insólito, fascinante, onde, em algumas imagens, se tem a impressão de que as sombras é que puxam as pessoas.

As fotos deste Ensaio Fotográfico são as que estão no belo calendário a venda na livraria do MON. Para mais trabalhos:
http://guilhermepupo.com.br.

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