Editorial. Ed. 187

Quando o brasileiro estava farto do noticiário que se confunde entre o policial e o político e exigia ações mais efetivas, o ministro Edson Fachin soltou a lista a causar tremores que nenhuma escala Richter seria capaz de medir. Nos dias 11 e 12 de abril, os jornais, portais e blogs estamparam explicações pra lá, notas pra cá. Os políticos deviam explicações. Por que têm negócios pouco ortodoxos com a maior empreiteira do país? Nem João Santana, preso, seria capaz de reconstruir a imagem hoje pintada. Os brasileiros não querem mais justificativas, querem o castigo, vindicam a prisão e estão convictos de que político bom é político morto.

Por outro lado, os agentes pegos aparentemente combinaram o mesmo discurso. Agora, após três anos de Lava Jato e muitos em cana, querem o melhor para o Brasil, estão dispostos a dar todos os nomes, codinomes, listas, repasses, locais de encontro etc. e tal. Como diz a letra, agora é cinza, tudo acabado e nada mais. Apesar de o esquema ter caído, ele não acaba e revela-se cada vez maior, sujo e inacreditável. Palocci é o da vez e promete a Sergio Moro entregar conteúdo para “mais um ano” de trabalho. O sistema financeiro está em alerta.

Emílio Odebrecht parece estar num jogo, numa brincadeira. Quem viu seu depoimento percebeu que ele dava risada como estivesse no chá das cinco a contar as anedotas que fez nos últimos “30 anos”. Deu também de joão-sem-braço. Culpou a imprensa e a acusou de demagogia. Poupe-nos! E assim como todos os outros quer o melhor para o país.
Sete de dez deputados e senadores que pediam a saída de Dilma para acabar com a corrupção e dar um bom futuro ao Brasil são investigados pela Lava Jato. O sistema político a cada avanço de Moro geme.

Mas ninguém superou a desfaçatez de Lula. Marcelo Odebrecht detalhou o esquema, o nome de Lula é onipresente. Porém, joga o “não sei de nada, não há provas” e segue a fazer campanha pelo Nordeste a dar entrevistas para rádios locais. O ex-presidente disse que não sabe se poderá ser candidato, mas as pesquisas mostram que o povo sente saudades dos tempos lulistas, aqueles em que tudo dava certo e nem gripe se pegava.

Vivemos um tempo “socrático”, sabemos apenas que nada sabemos. 2018 é um ponto de interrogação, não é possível dizer quem são os candidatos, não dá para saber até onde e até quem a Lava Jato vai chegar. Tucanos outrora fortes despencam. Marina, a inocente, encontrou-se com executivo da Odebrecht. Lula pode ser preso. Enquanto isso, João Doria, Jair Bolsonaro e Ciro Gomes vão comendo pelas beiradas.

Leia mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *