Lendas urbanas

fabio

Nesta época de Lava Jato e redes sociais, as lendas urbanas se multiplicam. Mentes de imaginação prodigiosa fazem correr boatos sensacionalistas que ocupam boa parte das conversas no ambiente político. Algumas são antigas, adaptadas aos dias de hoje. É o caso, por exemplo, da história de um vereador flagrado no banheiro da Câmara a examinar a arma do vizinho, com extrema dedicação e gosto. Pior, dizem os maledicentes, era um vizinho do partido de oposição ao do guloso, o que caracterizaria dupla traição, pois o moço de joelhos é casado. Com outro político.

Agora corre a lenda de que o prefeito Rafael Greca de Macedo passa por grave enfermidade. Aquela de que não se diz o nome, de tão funesta. Estaria com viagem marcada para uma cirurgia nos Estados Unidos, onde deixaria parte das entranhas. Mentira. Grossa mentira. Dita com o talento dos artistas do stand-up, a história provoca choros e celebrações. Greca, que em pouquíssimo tempo gastou o apoio que recebia e enfrenta dura oposição, está bem de saúde, atestam todos os exames. Não será por peste, doença ou achaque que ele deixará o governo de Curitiba. Restam aos adversários os caminhos normais da política, o impeachment ou a próxima eleição.

Outra lenda urbana enumera políticos que figurariam em todas as listas do Janot, do Fachin e do Sergio Moro. Sem contar as listas secretas, outra lenda, do Deltan Dallagnol. Beto Richa é uma das vítimas. O STJ autorizou investigação de denúncias sobre ele. Em cima desse fato, real, constrói-se dezenas de outros. Diariamente. Os políticos da oposição e empresários de interesses contrariados aproveitam a deixa e chafurdam na mentira. Há deputado, frequentador do Palácio e do gabinete do governador, viciado no WhatsApp, que o tempo todo envia mensagens do tipo.

O senador Roberto Requião é conhecido como grande criador de lendas urbanas. Ganhou eleição graças a elas. A maior foi a do pistoleiro Ferreirinha que, a mando de seu adversário, teria assassinado centenas de camponeses no norte do Paraná. Mas Requião também é vítima. Seu estilo violento e atrabiliário, que o levou a quebrar o dedo de um jornalista e ameaçar outros de coisa pior, serviram de base para uma mentira boçal que paira sobre ele. O de que bate em mulher. Inclusive na própria. Mentira. Deslavada mentira. Requião pode ser tudo, como acredito, mas jamais faria isso. Paga pela má fama que construiu com gestos deploráveis, como o de sair perguntando a operárias de uma fábrica se elas traiam o marido.

Lendas urbanas sobre a vida sexual dos políticos são incontáveis. A última é a de que um político de alto coturno teria casado secretamente com uma de suas secretárias, em Igreja de baixa reputação. Em segredo, porque ela ainda estaria casada com um bravo trabalhador legislativo de quem não se pode avaliar a reação. Bobagem. Mentira. Mas corre nas extrações de funcionários mais modestos da Casa. Faz grande sucesso. Dizem até que ele namora outra para dissimular o casório.

Enfim, ninguém escapa de um boato que acaba por se transformar em lenda que, muitas vezes, ficam para sempre. Difícil é separar verdade e mentira, ficção maldosa de inconfidência verdadeira. Desde que o homem passou a se comunicar, ainda nas cavernas, deu-se a inventar mentiras sobre os outros. Vício antigo, agora equipado com a Internet.

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