Muito prazer, Narizinho

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Eu sou advogada, mas meu salário vem da política. Ocupei cargos importantes e atualmente sou ré e membro do Senado. Antes de começar a me apresentar, quero dizer que não falo sobre plásticas.

BELEZA
Não me considero bonita e também não sou musa. Mas eu me cuido, não deixo a peteca cair, no bom sentido. Quando cheguei em Brasília, fazia testes com manicures e cabeleireiros para ver quem dava um jeitinho melhor nos meus traços de Barbie. Fico bem braba quando minha assessoria marca compromisso de manhã, porque, poxa vida, eu preciso fazer o cabelo antes de mais nada, né?

SUBSTANTIVOS
Eu acho que a gente tem que descobrir o verdadeiro sentido das palavras. Eu não me adéquo a essa fórmula sobrecomum de dizer a mesma palavra para homem e mulher. Por exemplo, não é certo falar presidente para uma mulher, é correto chamá-la de presidenta. E sobre isso posso fazer muitas variações: crianço, pessoo, cadávera, enta, cônjuga, anja, gênia e por aí vai. Prefiro assim, acho mais certo com as mulheres.

DEMOCRACIA
Sou uma pessoa a favor da democracia, desde o tempo em que eu era estudanta e entrei pro PCdoB. Mas eu sei como as coisas funcionam, por isso, quando tem um protesto contra o PT eu digo que ele não vale nada. Mas quando o negócio é a favor do que acredito, acho que a manifestação das ruas tem que ser ouvida. É simples assim: protestos contra mim ou meu partido significam que jogaram a democracia na valeta.
Quando me perguntaram se eu estava preparada para ser presa, eu mandei chamar os seguranças do Senado para prender a querida que me questionou. Não quero que ninguém fale comigo sobre isso e se falar eu mando prender.

POLÍTICA
Eu sei bem como as coisas funcionam na política, por isso eu afirmei que o Senado não tinha moral para julgar a presidenta, porque uma boa parte dele estava respondendo a processos, inclusive eu – hehehe.

Achei um absurdo quando o FHC pediu apoio do PT para planos econômicos, afinal de contas, não cabe a um governo solicitar ajuda à oposição para os seus planos. Oposição tem que se opor sempre, não importa o que está acontecendo.

Chamei sim o Eduardo Gaievski, aquele que foi condenado a mais de 100 anos de prisão por estupro de crianças e adolescentes, para trabalhar como meu assessor especial na Casa Civil, ocupando o cargo de responsável por programas do governo federal para crianças e adolescentes. Embora ele vivesse falando por todos os cantos, sem censura nenhuma, sobre suas taras sexuais, eu não sabia de nada. Não adianta o Lula empurrar a batata quente pra mim.

POLÍTICA INTERNACIONAL
Eu defendi taxar as grandes fortunas como o governo socialista da França fez, mas não prestei atenção que, alguns dias antes da minha fala, a França já tinha voltado atrás e eliminado a tal taxa; disseram, fiquei sabendo depois, que o negócio não funciona, que foi um fiasco para a economia porque não atrai capital para o país. Que droga!, eu estava atrasada com as informações.

Sim, fui a Bruxelas falar com companheiros e companheiras da extrema esquerda internacional e tentei falar em espanhol. E daí que não consegui? Que que tem? Quem nunca se enrolou num outro idioma que atire a primeira pedra. Não importa que passei vergonha, pelo menos tentei. Vão tirar sarro de mim por isso, bando de golpistas?
E disse, sim, que o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil. Não me arrependo, eu acho.

ECONOMIA
Eu entendo de economia, claro que entendo, afinal, meu patrimônio aumentou 200% em oito anos – isso lá em 2014, que fique claro, hoje em dia eu não sei direito.
E se me atrapalho em algumas análises, sempre ouço o que os mais velhos dizem, por isso sei que o Brasil não estava em crise quando a presidenta estava no poder, porque uma tia minha me contou que foi ao Beto Carrero e viu filas que não acabavam mais, isso é sinal que não existia crise, é óbvio.
Tempos atrás, recolheram mais de duas mil assinaturas com o objetivo de me internar num hospício só porque eu disse que foi o Lula quem salvou o Plano Real, vejam só.

Por fim, eu gostaria de dizer que toda mulher deve fazer greve para chamar atenção para nossa causa feminista. Sei que muita gente sabe, quer dizer, acredita, que eu seja uma fraude nessa questão, mas para provar, digo de peito aberto: a mulher deve fazer abstenção sexual, pra rapaziada reconhecer o seu trabalho.
É isso, gentem, eu vou embora porque tenho que dar um retoque na estampa para pelo menos parecer bonita quando me vaiarem no aeroporto.

Muito prazer, Narizinho.

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