Política, uma arte desacreditada

edmilson

Às vezes derivo para um viés político nesta coluna que originalmente tem uma preocupação com qualidade de vida e saúde. Quando isto se dá, é muito mais por indignação do que por vontade própria, ainda que, é inegável, a política interfira na nossa qualidade de vida.

Mas não deixa de ser uma ousadia de minha parte em face da plêiade de articulistas existente nessa área na nossa revista Ideias, capitaneados por Fábio Campana.

Há muito tempo trago uma inquietação no tocante aos financiamentos de campanha política. Acho que essa inquietação é a mesma de todas as outras pessoas, e pode ser traduzida por uma única questão: Por que, raios, existem as doações para as campanhas políticas?

Você que lê este artigo no momento, pare e pense: Quanto e para quem você já doou em campanhas políticas? Com raríssimas exceções, um ou outro ajudou um parente próximo, talvez quando esse incauto se aventurou em alguma eleição. Para depender da sua ajuda, provavelmente seu parente tentou uma vaga como vereador. Por que afirmo isso sem medo de errar? Porque de deputado estadual em diante, entra em campo um lobby de empresas que mantém “negócios” com governos e a partir daí os interesses ficam mega, e nestes casos, meu querido cara pálida, você é carta fora do baralho e suas merrecas suadas não representam nada.

Acompanhando as prestações de contas dos políticos e seus partidos, já perceberam as cifras? Fazem sentido? Através dos salários jamais recuperariam o investido. E olha que os horários de TV e rádio são gratuitos. E o que cobram os Joãos Santanas da vida pela indústria marqueteira? Aonde vamos parar?

Vamos ampliar essa discussão? Já vi em alguns carros um adesivo que diz “Política não deveria ser profissão”. Sou totalmente contra essa proposta, inclusive propondo o inverso, ou seja, a profissionalização dos políticos, bem formados e informados. Como? Da maneira lógica, graduando-se. Por exemplo: Sou médico. Não foi através de campanha que tive certo número de votos e que me elegeram médico. Como também não é assim que as pessoas se tornam advogados, jornalistas, engenheiros, professores, etc.

Deveríamos pensar na criação da profissão de político, com curso dentro das Universidades. Cursinho, vestibular e banco universitário! Teria que ser uma formação em nível superior. Isso é de uma necessidade tão premente que me espanto com a paternidade da ideia. Se é que já não tenha havido alguma proposição neste sentido, e neste caso, me desculpo pela ignorância e pretensão. Fato é que nunca ouvi nada a respeito.

Somos representados pelo Zé do suco, pelo João do posto ou pelo Antonio da farmácia. Absolutamente nada contra qualquer um deles ou quem quer que seja, mas que formação eles têm para o exercício da representatividade de pessoas? Temos casos de semiletrados, que se vangloriam disso, inclusive. Que descaso é esse com a formação de quem pretende representar as pessoas em todos os níveis?

Chegamos a um ponto da política que o sistema ruiu. É o fim da linha. Com o advento da Lava Jato não sobrará quase ninguém. Raríssimas e honrosas serão as exceções.

O “modus operandi” da classe política é o que vemos estabelecido de há muito, ou seja, é o toma lá da cá. A obra só sai se for superfaturada para que haja dinheiro para todos os envolvidos, e assim, vão setorizando e montando as quadrilhas. Modernas capitanias hereditárias, que estão tendo o mesmo destino que aquelas.

Tem de haver um corte profundo neste momento. Ninguém mais suporta o ponto em que tudo isso chegou. O barulho foi feito, as ruas foram tomadas e os protestos já aconteceram, dos últimos cinco presidentes, dois saíram pelo impeachment. Alguém quer prova mais cabal da falência do sistema político vigente?

Preocupa-me muito a sequência dos fatos, pois se não houver punições exemplares e a mudança radical desse sistema, as ruas se esvaziarão, as vozes se calarão, pois ficarão perplexas, indignadas em seu grau extremo e se recolherão no mais profundo silêncio da dor, da desilusão e da incredulidade. A partir daí, meus amigos, só mesmo a providência Divina para organizar o caos.

As ações devem ser realizadas agora, pois temos todas as possibilidades judiciais superiores fortalecidas, estas se mostrando céleres em suas ações, manterão a chama acesa e o grito do povo continuará ecoando. Ao contrário disso, o grito ficará na garganta e as lágrimas no rosto. Nesse ponto vale lembrar Martin Luther King, “O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons”.

Ou profissionalizamos nossos políticos exigindo deles toda a formação que é exigida de todas as outras profissões, ou eles perpetuam o caos e mantém seu status quo.

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