Congresso acadelado

acadelado

O Congresso sabe que não tem apoio suficiente da população para tomar medidas que podem agravar o mau humor das massas. As prioridades na pauta são remédios amargos para enfrentar a crise econômica, contestados pelos sindicatos e pela maior fatia da sociedade civil organizada.

As delações premiadas comprometeram a imagem da maioria absoluta. A revelação do gângster Joesley Batista, de que sua empresa, a JBS, de que controlava cerca de dois mil políticos com mandatos nos dois poderes – Executivo e Legislativo – em todas as instâncias, graças à distribuição de propinas a rodo, acabou por retirar qualquer possibilidade de restaurar mínima respeitabilidade para o Legislativo e deteriorou ainda mais a imagem do Executivo, a começar pelo presidente Michel Temer.

Na quarta-feira de fúria todos tiveram uma a mostra do que pode acontecer no país que vive em estado de quase anomia. Se fora do Congresso o clima era de guerra, dentro não estava lá muito civilizado. Tensão é o que prevalece desde os acontecimentos da semana passada. Todos os dias há discussões, brigas, gritarias em maior ou menor grau. Na quarta-feira de fúria, os parlamentares de oposição queriam colocar em pauta a PEC das eleições diretas para apreciação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Tentativas de acordo entre base e oposição foram frustradas e um bate-boca começou.

Mais tarde, quando chegou ao plenário da Câmara a notícia de que o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), havia pedido ação da Força Nacional para reforçar a segurança, o clima esquentou de vez. Parlamentares num empurra-empurra, gritos, xingamentos, acusações e discursos dramáticos que evocavam o tempo da ditadura militar protagonizaram, de terno e gravata, o que acontecia do lado de fora. Dando os devidos descontos, é claro, ninguém incendiou nada. E tudo degringolou de vez quando o ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou a decisão por decreto de Michel Temer sobre o uso das tropas federais. Daí para frente, socos, empurrões, mais gritos. E selfies, acreditem. Rodrigo Maia, que havia se retirado do local, voltou para tentar colocar ordem nas coisas. Sem sucesso, acabou suspendendo a sessão.

foto: Marcos Oliveira / Agência Senado

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